<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716</id><updated>2011-12-05T11:56:18.107-02:00</updated><title type='text'>Macondian Way of Life</title><subtitle type='html'>Todas as novidades de Melquíades.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>65</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-9044280264669067366</id><published>2010-06-05T11:54:00.002-03:00</published><updated>2010-06-05T11:58:39.458-03:00</updated><title type='text'>Beuys e Chacrinha</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-family: times new roman;"&gt;Encontrei uma crítica que escrevi no Festival de Teatro de Curitiba em 2003, sobre "Aqui você verá lebres" e "Bandulho", da Cia Silenciosa, e "Arrastom", do Grupo Processo. Recordar é viver.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O quadro do anglo-japonês pregando em inglês (com tradutora) para um punhado de prováveis fiéis na rua XV já prenunciava. Algo estava podre na terra do leite quente. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Minutos mais tarde, um enxame de atores escondidos brotava no chafariz e arredores mostrando lebres e outros animais mortos, para desespero do japonês e trupe, bem ao lado. Já era um dia outonal de Curitiba (a cidade ideal quando se é um sapo), com as exigências que lhe são peculiares, como cachecóis e guarda-chuvas (vai que...), o que só aumentava a estranheza dos atores pesadamente vestidos sob os esguichos de água. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Se “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;A hora em que não sabíamos nada uns dos outros&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;” – inevitável comparação – era bocejante devido talvez ao pé fincado no modernismo, “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Aqui você verá lebres e outros animais mortos manipulados por atores escondidos&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;” é um libelo sobre o trânsito calvinista, uma lupa sobre o sacrossanto chafariz, uma chacrinização da Capital Social e de sua &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;intelligentzia&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; de cintura dura. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Caso Joseph Beuys carregasse sua lebre morta no colo até a frente da loja C&amp;amp;A na tarde do dia 25, teria que explicar-lhe uma bailarina de maiô, ensimesmada em sua ciranda; uma nadadora egocêntrica; uma aspirante a cantora de ópera que usava esguichos como microfone; uma banhista que enchia balões; uma indigente seqüestrada pelo serviço secreto americano que, excepcionalmente, estava aceitando reais (a indigente, não o serviço secreto americano, infelizmente). E, tarefa mais difícil, Beuys teria que explicar à sua lebre um misterioso engravatado que ignorava a curva que o chafariz impunha ao trajeto dos transeuntes. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A Companhia Silenciosa interferia na urbe com bom humor, carnaval e anarquia. Oferecia a cena com aquele sabor do mal-feito, com a estética do mal-polido, contrastando, inclusive ideologicamente, com as &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;pièce-bien-fait&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; preferidas pela platéia do FTC. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; O mesmo paladar (herdado de um Asdrúbal Trouxe o Trombone?) emana de “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Arrastom&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;”, do Grupo Processo (origem de parte da Companhia Silenciosa). Na peça-plágio, os arteiros tiram Tom Zé para dançar (um tango silencioso, um musical do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Stomp&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, o melô do Abacaxi-de-Irará) e cantar (a propaganda de Cremogema, a história de Ludovico van Beethoven, a cena de cabaré de “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Mullholand Drive&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;”, o hino brasileiro invadido por Bush, Sadam e bin Laden). Mostrando que também a arte é reciclável, “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Arrastom&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;” dessacraliza a cena, teatro “é um boteco, não uma igreja”. Para quem pouco se lixa, os arteiros oferecem lixas de unha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt; “&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Bandulho&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;” é também arte para “quem quer ser José”, como no manifesto de “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Arrastom&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;”. Também da Companhia Silenciosa, a peça expõe as vísceras do amor: um Capitão Gancho cortando o bucho – o bandulho – de Roberto Carlos, até que vazem dele todas as canções de amor, como aquela que canta o estuprado. Em tempos de anti-imperialismo, a peça condena a xenofobia e antropofagiza fragmentos de diálogos amorosos em inglês, alemão e, por que não?, português. Lembra Gerald, (o bom Gerald, de “&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Ventriloquist&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;”, por exemplo) com todas as devidas proporções guardadas em gavetas adequadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A serviço da tarefa louvável de fazer desteatro, os três espetáculos (ou ÓVNIS, ou pedregulhos, “arte é tudo aquilo em que se tropeça”) são ecos da voz de uma geração de criadores curitibanos esforçados em mostrar que a saída para a arte da cidade não está apenas no Afonso Pena. É uma grande promessa se considerados o esvaziamento artístico da maior fatia da classe teatral &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;mainstream&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;-huguenote local e a puerilidade de uma crítica teatral que se assume não-especializada ou que repete o bordão “tarefa-hercúlea” em três textos por semana.          &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-9044280264669067366?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/9044280264669067366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=9044280264669067366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/9044280264669067366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/9044280264669067366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2010/06/beuys-e-chacrinha.html' title='Beuys e Chacrinha'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-6615401150210910001</id><published>2010-01-14T17:12:00.002-02:00</published><updated>2010-01-14T17:18:53.723-02:00</updated><title type='text'>Sob o pavimento, a praia.</title><content type='html'>Este texto foi escrito para a edição comemorativa do Jornal Quixote sobre os 40 anos do maio de 68. Como a edição não saiu, o texto ficou órfão. Publico aqui, para alguém que tiver paciência de lê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sob o pavimento, a praia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Várias ruas do centro de Paris no final da década de 60 eram pavimentadas com paralelepípedos de formato cúbico, unidos uns aos outros apenas por uma fina camada de areia amarelada. Era promessa da praia, soterrada sob o pavimento: “Sous les pavés, la plage”, escrita num muro da cidade naquele maio de 68. A praia seria lúdica, não-hierárquica, insurrecional. O pavimento era o exato contrário de tudo isso: a França gaullista, na qual se temia “morrer de tédio”, de acordo com um jornalista do Le Monde em março daquele ano.&lt;br /&gt;    A sede pela praia vinha de uma profunda crise de autoridade, identidade e representação na sociedade francesa. Os estudantes, operários e camponeses que se uniram nas manifestações não reivindicavam apenas melhorias salariais, nem apelavam somente por reformas políticas ou mudança de governo. A contestação de 68 queria mais. Queria mudar a vida, as relações que constituíam a família, as relações sexuais, o estado, a igreja, a educação – todas as instâncias de exercício do poder.&lt;br /&gt;    “Seja realista, exija o impossível”, “Ë proibido proibir”, “A imaginação no poder”, “O sonho é realidade”, “Eles compraram sua felicidade. Roube-a!”, “O respeito foi perdido. Não vá procurá-lo!”, “A arte morreu. Não há nada que Godard possa fazer quanto a isso”, “Como se pode pensar livremente à sombra de uma igreja?”, “Numa sociedade que aboliu todas as aventuras, a única aventura que resta é abolir a sociedade”, “A revolução é incrível porque é real”, “Vamos banir o aplauso, o espetáculo está por toda parte”, “Quanto mais eu faço revolução, mais quero fazer amor. Quanto mais faço amor, mais quero fazer revolução”, “A poesia está nas ruas”, “Mesmo se Deus existisse seria necessário aboli-lo”, “Trabalhadores de todo o mundo, divirtam-se” - o 68 francês foi pródigo em frases de efeito, em unir contestação radical e criatividade. Essa característica não encontrava abrigo nos espaços convencionais de oposição (o Partido Comunista e os sindicatos). Eram necessárias novas formas de organização política e de ação coletiva. O espírito de 68 era o de suprimir as esferas separadas de “trabalho” e “lazer”, “vida” e “arte”, em direção a um continuum espontâneo que aglomeraria liberdade, autonomia pessoal e internacionalismo.&lt;br /&gt;    A pré-história dos protestos em Paris teve dois eventos que merecem ser relevados. O primeiro deles em 1966, quando uma chapa de alunos concorreu ao Diretório Acadêmico da Universidade de Estrasburgo com a plataforma de acabar com o próprio Diretório. Eles foram eleitos, e recorreram à Internacional Situacionista, um grupo de agitadores políticos (dentre eles, Guy Debord), para levar a cabo seu plano. Publicaram, então, esgotando os recursos do Diretório, uma edição de luxo de 10 mil exemplares do panfleto “A Miséria do Meio Estudantil – Considerada em Seus Aspectos Econômico, Político, Psicológico, Sexual e, Mais Particularmente, Intelectual, e Sobre Alguns Meios Para Remediá–la”. O texto era uma contundente e provocativa crítica ao papel político dos estudantes na França de então (“os estudantes são as criaturas mais universalmente desprezíveis na França, com exceção dos padres e dos policiais”). Por uma decisão judicial, o diretório foi efetivamente fechado em dezembro daquele ano. O juiz responsável pelo autos do processo escreveu: “os estudantes, ainda há pouco adolescentes, desprovidos de qualquer experiência, com a cabeça repleta de mal digeridas teorias filosóficas, sociais, políticas e econômicas, e sem saberem como dissipar o seu melancólico aborrecimento do dia-a-dia, emitem a vã, orgulhosa e irrisória pretensão de produzir juízos definitivos e indignamente injuriosos sobre os seus condiscípulos e professores, sobre Deus, as religiões, o clero, os governos e os sistemas políticos e sociais do mundo inteiro, e, depois disto, rejeitando qualquer moral e quaisquer entraves legais, não hesitam sequer em louvar o roubo, a destruição dos estudos, a supressão do trabalho, a subversão total e a revolução mundial proletária ininterrupta a fim de se gozar sem impedimentos”. Sem querer, o juiz acabou por fazer uma apurada caracterização daquela geração de estudantes franceses e contribuiu para a aclamação das idéias situacionistas.&lt;br /&gt;    Em 22 de março de 1968, um grupo de 142 estudantes ocupou o prédio da administração da Universidade de Paris em Nanterre, protestando contra a burocracia política que controlava os fundos educacionais na França e pela libertação de um estudante que tinha sido preso por uma manifestação contra a guerra do Vietnã dias antes. Após a publicação de uma carta contendo suas reivindicações, os estudantes desocuparam o prédio, mas os conflitos com a direção da universidade continuaram pelos meses subseqüentes, até que no dia 02 de maio vários estudantes foram expulsos e a universidade fechada.&lt;br /&gt;    A resposta estudantil não tardou. No dia seguinte, os estudantes convocaram uma assembléia  na Universidade Sorbonne, no Quartier Latin, em Paris. O reitor solicitou a intervenção da força policial para “expulsar os perturbadores”. Após isolar a área e quebrar uma lei que impedia ação policial dentro da universidade, os policiais detiveram cerca de 400 estudantes. No entanto, quando os “perturbadores” estavam sendo transportado para as delegacias, três mil estudantes se agrupavam no exterior da universidade. Às cinco da tarde começou a batalha de rua entre os policiais e os manifestantes. Granadas de gás lacrimogênio foram arremessadas contra a multidão, que respondeu lançando paralelepípedos arrancados da rua. A Sorbonne foi fechada e barricadas foram montadas. A praia começava a ser descoberta.    &lt;br /&gt;    Nos dias 06 e 10 de maio grandes conflitos envolveram manifestantes e policiais, resultando em centenas de ferimentos e detenções. Percebendo a ameaça que os eventos representavam ao governo, o primeiro-ministro George Pompidou voltou de sua viagem ao Afeganistão e cedeu às reivindicações dos manifestantes: anistia dos estudantes detidos, evacuação das forças policiais do Quartier Latin e reabertura da Sorbonne. Ele acreditava que com isso conseguiria conter a onda de engajamento que tomava conta do país. Ledo engano.  &lt;br /&gt;    No dia 13, a Sorbonne reaberta foi ocupada pelos estudantes, que a declararam “universidade popular autônoma”. Cerca de um milhão de trabalhadores ocuparam as ruas em trinta cidades francesas, em greve geral convocada pelos sindicatos. Comitês de ocupação e conselhos operários foram formados. Vários liceus, cinemas, teatros, fábricas e universidades foram ocupados nos dias seguintes. O Festival de Cannes teve várias exibições suspensas por cineastas solidários ao movimento. Maio de 68 deixava de ser um fenômeno estudantil para se tornar a maior greve do pós-guerra na Europa, com mais de 10 milhões de trabalhadores, camponeses e estudantes envolvidos, o que representava dois terços da mão-de-obra francesa.&lt;br /&gt;    No mesmo dia em que a bolsa de valores parisiense foi incendiada, 24 de maio, o presidente Charles de Gaulle anunciou a realização de um referendum em junho sobre a participação popular no governo. A reação não foi a esperada. Em todo o país, os manifestantes não se mostraram satisfeitos com a proposta, o que fez com que Pompidou começasse uma negociação com os sindicatos no dia seguinte, que acabou por determinar um aumento dos salários, diminuição da idade para aposentadoria e diminuição da carga de trabalho. Mesmo assim, os protestos continuaram.&lt;br /&gt;    No dia 30, embalado por uma demonstração de apoio de quase um milhão de pessoas, De Gaulle anunciou a dissolução do congresso, o adiamento do referendum e eleições parlamentares para o mês seguinte.&lt;br /&gt;    Junho começou com a polícia evacuando teatros, indústrias e universidades. Vários movimentos de extrema-esquerda foram dissolvidos, e as manifestações foram oficialmente proibidas no período eleitoral. O espírito libertário de maio parecia perder o seu fôlego, o que de fato se confirmou nos resultados das urnas: De Gaulle obteve uma significativa vitória na composição do parlamento.&lt;br /&gt;    Mesmo que os alcances políticos dos eventos de 1968 na França tenham sido limitados (afinal, mesmo após a renúncia de De Gaulle, em 1969, George Pompidou foi eleito presidente), resta que, no plano cultural e simbólico, foi a mais contundente contestação da ordem existente na segunda metade do século XX. De uma maneira inusitada, estavam reunidas sob a mesma insatisfação a classe trabalhadora e a intelectualidade francesa. O conceito de participação política foi, também, totalmente reformulado. Os indivíduos demandavam uma revolução que estava nos costumes e nas relações inter-pessoais, e essa revolução não podia ser delegada – eles mesmos precisavam vivê-la.&lt;br /&gt;    68 representou uma mudança paradigmática na liberação sexual (com o advento dos anticoncepcionais, a luta pró-aborto, pelo direito das mulheres e sufrágio universal), na oposição dicotômica entre os modelos capitalista e socialista (com a denúncia dos estados comunistas totalitários e a proposição de uma alternativa autônoma e sob auto-gestão), na pedagogia escolar, dentre tantos outros aspectos da vida cotidiana. Ainda que por um breve momento, a praia vislumbrada em 68 se apresentou como utopia possível, uma zona autônoma temporária a ser lembrada a todos aqueles que hoje argumentam que a história acabou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-6615401150210910001?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/6615401150210910001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=6615401150210910001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6615401150210910001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6615401150210910001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2010/01/sob-o-pavimento-praia.html' title='Sob o pavimento, a praia.'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-4117346462780630965</id><published>2009-07-04T18:43:00.002-03:00</published><updated>2009-07-04T18:47:04.505-03:00</updated><title type='text'>Tintas</title><content type='html'>O pior é quando o anjo torto,&lt;br /&gt;ao invés de lhe dizer pra ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gauche&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;insiste pra que você seja &lt;span style="font-style: italic;"&gt;guache&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-4117346462780630965?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/4117346462780630965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=4117346462780630965' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/4117346462780630965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/4117346462780630965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2009/07/tintas.html' title='Tintas'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-9029828888712082377</id><published>2009-05-02T16:35:00.001-03:00</published><updated>2009-05-02T16:36:31.463-03:00</updated><title type='text'>Tuíter</title><content type='html'>E as idéias infames de epitáfios do post anterior me incentivaram a entrar no &lt;a href="http://twitter.com/sobreatumba"&gt;mundo de twitter&lt;/a&gt;. Check it out!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-9029828888712082377?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/9029828888712082377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=9029828888712082377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/9029828888712082377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/9029828888712082377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2009/05/tuiter.html' title='Tuíter'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-5444232221069580957</id><published>2009-05-02T05:10:00.001-03:00</published><updated>2009-05-02T05:11:29.374-03:00</updated><title type='text'>Para a lápide</title><content type='html'>Ouvi estes dias um epitáfio de que gostei: "Valeu pela experiência!" Uma variação possível: "Foi bom para o curriculum".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-5444232221069580957?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/5444232221069580957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=5444232221069580957' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/5444232221069580957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/5444232221069580957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2009/05/para-lapide.html' title='Para a lápide'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-2907973112940826615</id><published>2008-12-10T17:43:00.002-02:00</published><updated>2008-12-10T17:58:01.721-02:00</updated><title type='text'>Pequenos Acidentes Cotidianos IV</title><content type='html'>Ele era um website. Da época em que as pessoas diziam "website" e "hotlink" e que você ouvia um som irritante quando a internet conectava. Vivia num host semi-abandonado, tipo geocities. Mas, romântico, sonhava em ser um príncipe encantado.&lt;br /&gt;Ela era uma navegadora da web. Da época em que as pessoas "navegavam pela rede", e que a metáfora era adequada. Era saudosista, pensava "que tempo bom aquele do Napster". Não queria nem ouvir falar de Windows Vista. Convencê-la a trocar o 98 pelo XP já tinha sido um suplício.&lt;br /&gt;Tinham sido feitos um pro outro, mas nunca tinham se cruzado. Um dia, se encontraram por acaso, numa busca do google. Ele, cansado da vida em html e da falta de visitas denunciadas no contador, pediu que ela lhe desse um beijo, para que ele, finalmente, tomasse forma humana. Ela resistiu, mas, no final, pensou "por que não?". Fechou os olhos e fez biquinho.&lt;br /&gt;Mas aí deu um erro 503 e tudo o que ela conseguiu foi melecar o monitor com saliva. Sobre ele, nunca mais ouvimos falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-2907973112940826615?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/2907973112940826615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=2907973112940826615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2907973112940826615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2907973112940826615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/12/pequenos-acidentes-cotidianos-iv.html' title='Pequenos Acidentes Cotidianos IV'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-1698867734565947506</id><published>2008-05-29T19:00:00.003-03:00</published><updated>2008-05-29T19:50:38.402-03:00</updated><title type='text'>Pequenos Acidentes Cotidianos III</title><content type='html'>Não que ele sempre tivesse sido inseguro, mas Astolfo tinha, de uns tempos pra cá, perdido a confiança em si mesmo. Andava cabisbaixo, meditabundo. Errava o cesto quando arremessava o papel no lixo. Ficava se achando feio, mal-vestido, barrigudo, com bafo e caspa. Às vezes até tinha uma euforiazinha, e ele achava que a maré de desassossego já ia baixar. Mas, que nada, noutro dia lá tava ela de novo.&lt;br /&gt;Astolfo tinha um coração remendado com durepox, que doía quando bombeava sangue. E doía também quando Astolfo se concentrava pra que ele não bombeasse. Talvez fosse isso que o deixara inseguro e ansioso. Mas Astolfo não estava bem certo.&lt;br /&gt;Ele reclamava muito, até porque Astolfo não conseguia represar as palavras em sua boca, e elas vazavam pelo canto dos lábios. Só quando pensava nas crianças mudas telepáticas ou quando se mirava no exemplo das mulheres de Atenas ele se tolhia e pensava: "Ô Astolfo, largue mão e vá carpí!" Ou, como diria o Analista de Bagé, "te preocupa com a defesa do Guarani e larga o infinito"! Mas Astolfo nem conseguia plagiar o Luiz Fernando Veríssimo, apesar de tentar.&lt;br /&gt;Depois de um tempo, a insegurança de Astolfo era tanta que ele não conseguia ter certeza se Paramaribo era mesmo a capital do Suriname, ou como se fazia uma casinha com o tangran.&lt;br /&gt;Astolfo adquiriu o hábito de desviar-se de qualquer assunto que necessitasse de uma defesa de posição, de uma opinião mais acalorada. Já não mais olhava no olho de ninguém, e não mandava e-mails, poemas, scraps, nem mesmo fazia telefonemas, no temor de que não fossem bem recebidos, ou que fossem deletados tão logo lidos. Ele tinha vergonha até mesmo de escrever um post no seu blog.&lt;br /&gt;Certa manhã, depois de despertar de sonhos intranqüilos, Astolfo encontrou-se em sua cama, metamorfoseado em um conto de Kafka. E nós só sabemos hoje de sua história porque Max Brod, o amigo-da-onça do escritor, não cumpriu o último desejo do checo e não mandou Astolfo e os outros contos pra lata do lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-1698867734565947506?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/1698867734565947506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=1698867734565947506' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/1698867734565947506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/1698867734565947506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/05/pequenos-acidentes-cotidianos-iii.html' title='Pequenos Acidentes Cotidianos III'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-598279761683660135</id><published>2008-05-26T17:57:00.004-03:00</published><updated>2008-05-26T18:34:23.258-03:00</updated><title type='text'>Nenhuma derrota é definitiva</title><content type='html'>Em 2002, em Florianópolis,  entrevistei Roberto Bui, membro do coletivo literário &lt;a href="http://www.wumingfoundation.com/"&gt;Wu Ming Foundation&lt;/a&gt; e uma das cabeças por trás do &lt;a href="http://www.lutherblissett.net/"&gt;Projeto Luther Blissett&lt;/a&gt;. Além de render a &lt;a href="http://www.wumingfoundation.com/italiano/salvatti.html"&gt;entrevista&lt;/a&gt; e um &lt;a href="http://www.wumingfoundation.com/italiano/rassegna/Salvatti_lb.html"&gt;artigo&lt;/a&gt; publicado em um congresso em 2003, o encontro com Bui foi a primeira faísca para o doutorado que agora desenvolvo. Retomei recentemente o contato com ele, para pesquisar os grupos atuantes na resistência ao capitalismo contemporâneo. Na nossa troca de e-mails, o tom dele é de frustração: segundo Bui, o movimento foi derrotado. Mas, ele salienta, nenhuma derrota é definitiva, e as forças submersas podem emergir a qualquer momento. Eis aqui o que eu e ele escrevemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Roberto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Primeiro, desculpe por minha demora. Estive na França cobrindo as celebrações dos 40 anos do maio de 68 e acabei de regressar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu tive a idéia para a minha pesquisa durante nossa entrevista [em 2002]. Naquela época eu estava interessado no plágio como uma estratégia criativa. Agora eu quero ir um passo adiante, e pesquisar a resistência ao capitalismo. Isso é um pouco amplo, e estranho (ao menos no Brasil) quando se está sob o Departamento de Teatro, mas meu ponto é o seguinte: Eu reconheço que o movimento contemporâneo contra o capitalismo (G8, OMC, etc) tem diferentes táticas se comparado com a “oposição clássica” (Partidos Comunistas, Organizações Trabalhistas). Estas “táticas” (e estou aqui interessado principalmente na ação direta) incluem alguns “pontos estéticos”, isto é, podem ser vistas como a emergência de uma performance. Claro que protestos e manifestações não pretendem ser “artísticos”, mas, ainda assim, há alguns “aspectos espetaculares” que são parte dos eventos. Este é meu foco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Me lembro que você disse ter conexão com os Tute Bianche. Penso que este é um bom exemplo de protesto-performance.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bem, o que gostaria de te pedir é uma apreciação sobre o tema, uma entrevista, e alguns contatos com pessoas que você ache que sejam parte deste processo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por exemplo, estou tentando entrar em contato com John Jordan, mas não consigo encontrar o seu e-mail. Estou em contato com os Space Hijackers também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espero que isto seja ok pra você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Saudações,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;F. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caro Fabio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu entendo o seu ponto. O problema é, temo não ter nenhum contato útil para compartilhar com você. Neste momento preciso, eu não sei de nenhuma intervenção estética organizada na política de movimentos. Pelo menos não na Europa. O movimento antiglobal foi derrotado, e na Itália – um país que está vivendo um de seus mais sombrios períodos na história – há conflito social, mas é mais “tradicional”, se é que você me entende. Quando nos encontramos em Florianópolis, a experiência do Tute Bianche já havia acabado, mas ainda havia uma riqueza de formas e intervenções. Agora é um período mais difícil, no qual a inteligência coletiva radical está trabalhando mais “disfarçada”, em contextos menos visíveis. Há uma cena literária muito rica e radical, um movimento que chamamos de “O Novo Épico Italiano”, mas não é performático nos termos que você descreve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;R.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Temo que você esteja certo. O momento entre Seattle 99 e Gênova 01 foi realmente fértil para o movimento antiglobal. Eu sabia que o Tute Bianche tinha parado, assim como o Reclaim the Streets, mas eu esperava que algo ainda estivesse vivo. Na França, eu fiquei impressionado com o movimento dos Sans Papiers – eles não são performativos, mas são muito presentes. Claro, estão lutando contra a dura política do Sarkozy... Aqui, em Londres, eu noto que há algo acontecendo nos squats. Ouvi falar sobre o “No tendrás uma casa em la puta vida”, da Espanha, sobre habitação... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Qual sua opinião sobre a derrota do movimento? Está relacionada com o pós-11 de setembro e a guerra contra o terror? A América do Sul parece estar em um momento “de esquerda”, mas isso não gera movimentos populares, além do tradicional Movimento dos Sem Terra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;F.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bem, Fabio, primeiro deixe-me dizer que nenhuma derrota é definitiva. Eu acho que estes movimentos vão ressurgir porque tenho certeza que essa rede de pessoas está ainda trabalhando, entrando em contato umas com as outras, pensando, criando ferramentas e conceitos, e conflito é inevitável em sociedade. Claro que o período da “guerra contra o terror” tem sido (e é) muito duro. Eu concordo que os Sans Papiers são a mais interessante subjetividade atual, se encontrarmos uma maneira efetiva de conectar suas lutas na Fortaleza Europa com a herança das contra-culturas e radicalismo por todo o continente, será um passo cognitivo adiante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No que concerne a Itália, o movimento (ao menos suas correntes mais organizadas) cometeram suicídio ao fazer todos os erros que podiam. Eu acho que o mais significante caso de estudo é o dos “Desobedientes”, o grupo que nasceu quando o Tute Bianche declinou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Após a impiedosa repressão em Gênova e o golpe de 11 de setembro, a situação no país ficou mais dura e o sonho se despedaçou. Já no verão de 2003, o movimento estava numa crise profunda. Ele regressou a uma presença marginal no país, uma presença que ocupava o espaço semântico da extrema-esquerda tradicional. O velho papel chato desempenhado em regras chatas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os fóruns sociais falharam não apenas em providenciar uma “síntese”, mas também em dar sentido ao que aconteceu, porque um bando de “movimentistas” semi-profissionais os tomaram. Eles cometeram todos os tipos de erros e provaram ser grotescamente inadequados. Tática e estratégias sub-leninistas fossilizadas reapareceram. Um monte de tempo e de energia foi dissipada em guerras de identidade intra-grupos. Reuniões se tornaram patéticas brigas de galo. A maioria dos ativistas sensíveis e “não arregimentados” (especialmente mulheres) se encheram e saíram. Nós, o coletivo Wu Ming, estávamos entre os que se chatearam muito cedo. Mesmo antes de Gênova nós criticamos severamente esta tendência, escrevendo um conto satírico intitulado “O Enclave Social de Bolonha”. Quando nos encontramos em Florianópolis, eu ainda achava que o movimento tinha os anti-corpos necessários para se defender contra este tipo de doença. Eu estava errado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A opinião pública pegou estas mudanças muito lentamente. A mídia não tinha idéia. A esquerda oficial (especialmente a Rifondazione Comunista) não tinha idéia. Os camaradas não tinham idéia.  Uma casta de auto-proclamados porta-vozes – coronéis sem exército – aproveitaram o gap temporal e se venderam como líderes poderosos. A guerra da comunicação de guerrilha foi substituída pela mais óbvia câmera-mercadoria. O suicídio e a agonia do movimento foi televisionado ao vivo, dia após dia. Um desses porta-vozes virou um membro do parlamento, como “um representante dos movimentos”. Revoltante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Claro que havia muita má fé nestes comportamentos, e carência de inteligência, mas talvez a crise fosse inevitável: mais provável, as forças sociais que formaram o movimento (sejam lá quais tenham sido) eram ainda imaturas. E, ainda em 2002 a sociedade italiana estava em alvoroço, a oposição ao governo do Berlusconi e a futura guerra do Iraque estavam ganhando seu momentum. De fato, era muito difundido. Havia greves todo dia, e piquetes, boicotes, ocupações, todos os tipos de manifestações. As pessoas falavam de uma “primavera dos movimentos”. Somente os burocratas desacreditados que se descreviam como “movimento de movimentos” tinham pouco envolvimento na luta. Quando um dos “porta-vozes” buscou uma foto oportunista num acampamento anti-nuclear na Lucânia, foi quase chutado pelos manifestantes. A primavera dos movimentos não queria nada com o inverno dos descontentes sectários.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nesta época a Wu Ming tinha se distanciado disso tudo. A colaboração direta entre nós e os Tute Bianche durou um pouco mais de um ano: das manifestações anti-OECD [Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento] em Bolonha (junho de 2000) até os últimos meses de 2001.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este é o ponto mais desolador da história. Como os Tute Bianche deram caminho para os “Desobedientes”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu não posso falar disso de maneira imparcial, porque os desdobramentos dos eventos me deixaram de coração partido. Me lembro que levou vários meses para superar a tristeza, ainda me sinto magoado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Havia pelo menos duas tendências entre aqueles que usavam as batas brancas: um considerando a roupa como uma ferramenta à disposição de todo o movimento, outro a considerando uma identidade. Havia ativistas falando sobre a roupa branca, e ativistas falando sobre os Tute Bianche, em maíusculo, como um grupo organizado. Isso sem dizer que nós estávamos entre os primeiros, e em severa oposição aos últimos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nas manifestações anti-G8 em Gênova, ninguém usou a bata branca. Nós coletivamente decidimos estender a prática da “desobediência civil acolchoada1” o máximo possível. Mesmo um símbolo aberto como o das batas brancas teria atrapalhado esta extensão. Era como uma referência a essa prática comum que aqueles que caminhavam saindo do estádio Carlini se chamavam de “desobedientes”. Daí os carabinieri mataram Carlo Giuliani, e as manifestações foram postas à deriva pela repressão. Naquela noite nos sentimos como alvos móveis. Estávamos aterrorizados, e ainda assim precisávamos responder, tínhamos que tomar as ruas novamente. Nossa única esperança era que o máximo de pessoas possível fosse para Gênova demonstrar sua solidariedade. No dia seguinte, 300 mil pessoas apareceram para nos salvar. Elas não eram os militantes radicais: os militantes radicais já estavam na cidade. Aquelas eram pessoas comuns com sentimentos democráticos, que se indignaram com a carnificina que viram na televisão. Eu sempre serei grato àquela multidão, enquanto eu viver. Naquela manhã de sábado, eu prometi a não trair aquelas pessoas. A salvação estava em se manter com a cabeça aberta, honesto e compreensível. A salvação estava em se manter distante do sectarismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Infelizmente, dentre os “desobedientes” do estádio Carlini, havia alguns estrategistas auto-suficientes que interpretaram exatamente o oposto: a repressão tinha sido possível porque não tínhamos sido duros o suficiente (!)  De acordo com eles, a salvação estava em formar um grupo coeso, homogêneo e arregimentado. Não necessariamente pequeno, mas certamente rigidamente organizado. Aliança seriam possíveis, mas não fusão ou simbiose com o resto do movimento. Eles acreditavam que a abertura excessiva era perigosa porque fazia baixar a guarda. Claro que esta posição não era expressa de maneira tão clara, havia vários circunlóquios floreados, mas o conteúdo era inequívoco, fedia a fisiculturismo e a bravatas, a visão-curta e sectarismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Havia também a pseudo-análise. Me lembro dos detalhes da conversa com um camarada do Vêneto. Ele disse que o movimento estava entrando em uma fase “descendente” e que era necessário “fortalecer a organização”, para que pudéssemos resistir em tempos de crise. Eu disse-lhe que, na história dos movimentos sociais, aquela estratégia sempre tinha falhado. Sempre que você constrói um pequeno grupo cujo objetivo é sobreviver à crise, você está colocando a crise no centro do projeto, e o projeto devorará a si mesmo.   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Além do mais, o movimento ainda não estava em crise: suas correntes organizadas estavam, porque não foram capazes de prever a repressão em Gênova, e também foram incapazes de prever o resgate de 300 mil pessoas. Era uma situação paradoxal: fracasso e sucesso misturados, a simplificação era perigosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nós fortemente nos opusemos a essa degeneração: acreditávamos que não havia sentido renunciar ao papel central que ocupávamos no movimento, e virar a enésima versão de um partido auto-referencial.Contudo, nós éramos escritores, artistas, você sabe, artistas tendem a ter imaginação demais, nossos avisos foram julgados exagerados até pelos camarada mais sensíveis. “Não há necessidade de alarde, amigos, que mal pode vir de um pouco de reorganização?” Quando eles perceberam que estávamos certos, já era tarde demais. Sai os Tute Bianche, entram os Desobedientes, em maiúsculas e entalhado na lápide do movimento. Nós sentíamos que os Desobedientes haviam traído a multidão. No ano seguinte, muitos camaradas saíram do grupo, que rapidamente se tornou um monstro Frankenstein ideológico: uma práxis Stalinista, uma mente paranóica e uma linguagem parodiada dos zapatistas. Eles tentaram se fixar em várias cidades, e provaram ser intolerantes com os dissidentes. Em vários casos, chegaram mesmo a combater camaradas de outras correntes do movimento, especialmente anarquistas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Enquanto o movimento agonizava como um todo e os fóruns sociais esmaeciam, os Desobedientes se tornaram cada vez mais marginais. Todos os seus projetos sob a marca “Global” (Global Magazine, Global Radio, etc) eram fracassos ridículos. Eles eram especialmente entusiasmados em se auto-promover (enganosamente, claro). Eles costumavam ir a outros países (Espanha, Alemanha, França) e descrever uma situação italiana que só existia em suas cabeças. Eram poucas dúzias de pessoas posando como uma vasta rede. Eram as sobras de esquerda radical tradicional, mas tentavam soar inovadores parodiando metáforas do Subcomandante Marcos. Sua linguagem em breve se tornou uma “linguagem de madeira”, enrijecida e tediosa, distante da realidade e das emoções.  Um elemento particularmente irritante era a cópia da linguagem de Morpheus no Matrix. Eram uns chatos tentando se mascarar de descolados e cool... e soando ridículo. Naquela época, eu usei a técnica do cortar-e-colar e fiz um exemplo perfeito de propaganda Desobediente: “Os irmãos e irmãs do Movimento de movimentos e do movimento de homens e mulheres Desobedientes colocarão os seus corpos em risco e desobedecerão a Matrix em nome da desobediência social”, o que simplesmente significava: “Vai haver uma manifestação”. Por sorte, tudo isso acabou. Eu não ouvi falar deles por muitos anos, acho que foram engolfados por sua própria insignificância.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O problema é que este tipo de parasitas vai sempre existir e tentar tomar o controle dos movimentos. Eu só posso esperar que o próximo movimento seja maduro o suficiente para exclui-los imediatamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;R.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-598279761683660135?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/598279761683660135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=598279761683660135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/598279761683660135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/598279761683660135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/05/nenhuma-derrota-definitiva.html' title='Nenhuma derrota é definitiva'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-5687852844842852007</id><published>2008-05-24T07:47:00.004-03:00</published><updated>2008-05-24T10:50:56.259-03:00</updated><title type='text'>Paris qui mesure notre émoi</title><content type='html'>Eu sabia. Não que eu não me desse algum crédito, mas eu sabia que, na Europa, cometeria vários dos lugares-comuns anunciados por todos os turistas que me precederam. E eis que volto de Paris, recheado de frases feitas e do "você tem que ir", e tudo aquilo que eu já ouvi mil vezes. O Demian tem um chiste que é o seguinte: deveria haver camisetas escrito "Paris é foda". Porque "Paris je t'aime" ou "Paris, mon amour" não dão conta do recado.&lt;br /&gt;Tentei equilibrar, lá em Paris, as doses de turismo-de-guia-turístico e o flanar baudelaire-benjaminiano. Daí que não fui ver a Mona Lisa, por exemplo, mas achei recônditos incríveis e improváveis. Ainda assim fui na Torre Eiffell. E na passagens do Benjamin, claro.&lt;br /&gt;Uma das coisas felizes da viagem foi aproveitar a experiência de meus anfitriões (a quem imensamente agradeço - Fabio, Demian, Lucía) e interagir com a população autóctone, coisa que ainda não tive a chance de fazer de fato aqui em Londres. Com meu francês de lutador de kung fu, fui à luta e tentei me fazer entender entre beicinhos e sais pas. Assim conheci queridíssimos franceses (os nomeio aqui, caso estejam na platéia: Lara [a querida Sra. Kinas] e seus colegas de coral, Magali, Guillaume, Anne, Marie, Fabrice, Benoit, François, abraços a todos) e compartilhamos agradabilíssimas soirées. Também foi maravilhoso encontrar os Brasil-brasileiros, alguns dos quais não via há anos: Fabio e Demian já citados, Ana Wegner, Eugênio, Cláudia.&lt;br /&gt;Mas, como a imensa maioria dos leitores não faz a menor idéia de quem sejam os indivíduos que enumerei, deixo registrada minha lembrança e afeição e passo, pois, ao relato da cidade propriamente dita.&lt;br /&gt;Tanto Paris quanto Londres se organizam geograficamente em função de seus rios. A população transita diariamente entre as margens, e há uma construção de identidade da cidade com os tais. Fico pensando em São Paulo, na catástrofe ambiental que é a dupla Pinheiros-Tietê, ou mesmo em Curitiba, com o Belém apodrecido e soterrado. Lamento imensamente. Aquela alegria que temos em ver a água (ao menos nós, os curitibanos sem praia), na orla do Rio de Janeiro ou Florianópolis, também nos afeta em Paris e Londres. Quando olhamos para o Rio Seine do alto da Pont Neuf ou da Pont des Arts então, é alegria multiplicada.&lt;br /&gt;Meu quartel-general, a casa do Fabio K, ficava perto da Bastille (a própria). Um apartamento-estúdio com tudo na mesma peça (incluindo a banheira e excluindo o toilette) no quinto andar, sem elevador. Muito bem localizado, na cara do gol, diria um amigo meu. A dois paços dali, a bela Places des Voges, super bem freqüentada, onde Victor Hugo morou por um tempo.&lt;br /&gt;Meu esporte favorito era sair de casa, pegar um Velib e lutar com o meu mapa Paris Pratique pra chegar em algum lugar determinado. Velib é uma idéia (que não é francesa, acho que é holandesa, não sei) genial, que deveria ser adotada por todos os lugares do mundo (talvez no Brasil fosse um pouco mais difícil, e vcs vão entender porquê). São pontos de bicicleta espalhados pela cidade, cada um com aproximadamente 25 veículos. Você faz uma carteirinha por um determinado período (um dia - um euro, uma semana - cinco euros, um ano - trinta euros) e pode usar qualquer bike por meia hora. Se o seu trajeto demanda mais do que meia hora, você devolve a bike em qualquer ponto, espera cinco minutos e pega outra. Caso estoure o prazo, você paga um euro por meia hora, um jeito para ninguém monopolizar as bikes. Dessa forma, mesmo Paris tendo o melhor sistema de metrô do mundo, eu precisei muito raramente tomá-lo, graças ao Velib. De madrugada, então, é uma mão-na-roda, com o perdão do trocadilho. O transporte convencional pára e os Velibs carregam os boêmios entre os cafés.&lt;br /&gt;Mudando de assunto, os caras inventaram o Chantilly. Então, um chocolate quente com uma generosa camada do creme é uma experiência gastronômica do mais fino grau, considerando que ela será paga em euros, e em muitos. Paris é cara. Mais do que Londres. Mas, comendo em casa, e só abrindo algumas exceções para um Trouffé, um Chocolat ou uma 1664, acaba barateando.&lt;br /&gt;De museus, fui no Pompidou, onde vi, além do acervo, uma exposição bocejante da Louise Bourgeois e outra chamada Traces du Sacré que, apesar de vocês saberem que a temática não é muito a minha praia, tinha uma escalação pra lá de interessante (como os franceses usam tudo no negativo, eles diriam "pas mal"): Goya, Münch, Malévitch, Klimt, Mondrian, Duchamp, Kapoor, Kandinsky, Giacometti, Picasso, Klee, Chagall. Rodin, Man Ray, Dalí, Picabia, León Ferrari, Francis Bacon, Beuys, Matisse, Rothko, Bill Viola, Pollock, Marina Abramovic, Warhol, etc. No Muséum National d'Histoire Naturelle vi meus amigos bichos, e na Nuit des Musées, vi Richard Serra na Nef du Gand Palais e Figuration Narrative, na galeria do Grand Palais.&lt;br /&gt;Muitas praças, jardins, palácios. Para poupá-los de descrições, aqui vão as menções honrosas: Jardin des Tuileries, Jardin du Luxembourg, Jardin des Plantes.&lt;br /&gt;Teatro, tive azar. Vi uma besteira chamada Claire no Theatre de la Villette. Vi também  a trilogia l'Orestie, teatrão dirigido por Olivier Py, no Odeon. Chato. Só me dei bem quando fui assistir, no MC93, em Bobigny, o Éloge de l'escapologiste, uma peça de percurso dirigida pelo húngaro Árpád Schiling.&lt;br /&gt;Indescritível foi o pôr-da-lua que vi sobre o Seine. Crescente, amarela e gigante, se debruçando, preguiçosa. Na mesmo dia (noite?), vi o sol nascer em Montmarte, atrás da Sacre Coeur. Lindo, maravilhoso, perfeito se não fosse o parágrafo seguinte.&lt;br /&gt;Montmartre fica no norte de Paris, no 18ème arrondissement (que são como bairros, do 1 ao 20, ordenados em espiral, começando pelo centro), é um dos poucos pontos não-planos de Paris, e da igreja (catedral? basílica?) de Sacre Coeur se têm uma linda visão da cidade. Rumei até lá no meu Velib possante, junto com a Lucía, alucinada, às 05h30. Ao chegarmos lá, havia uma turminha de adolescentes bêbados, provocando os transeuntes, arremessando garrafas, etc. Eu fingi que não era comigo, apesar deles insistirem bastante no bulling. Eu e a Lucía achamos melhor nos retirarmos, e então eles pararam um jovem que passeava de bicicleta. Não sei qual foi a conversa, mas eles bateram muito no cara. Seis contra um, e o cara só não foi espancado porque não caiu no chão. A missão dele era fugir dali com a bicicleta, coisa que ele era impedido de fazer constantemente. A pancadaria só parou quando outros adolescentes que estavam ali seguraram a turminha da briga.&lt;br /&gt;Aí que se vê que a França de Sarkozy é uma panela de pressão. Em 2006, durante o governo Chirac, mas com Sarkozy como ministro do interior, carros queimaram nos banlieus parisienses. É uma represa de ódio, lembrando o filme do Kassovitz, que opõe os franceses e os magrebinos, os norte-africanos que são totalmente "outros" em Paris. Daí essas explosões, daí espancamentos como esses. Daí a ascensão da direita no poder e o recrudescimento com os "ilegais". Daí os sans papiers que ocupam a bourse de travail, exigindo direito de permanência e trabalho em terras francesas. E a Sacre Coeur asséptica do filme da Amélie Poulain não dá conta de retratar isso. Paris fica menos romântica e mais globalizada, no mal sentido.&lt;br /&gt;Isso é absolutamente complexo numa cidade que viveu intensamente o maio de 68, que completam 40 anos e de cujas comemorações eu participei como parte do meu processo de pesquisa. A participação popular na vida política francesa ainda é absolutamente forte - pude acompanhar duas grandes manifestações de trabalhadores e estudantes. Ainda que desafinados, sem ritmo, e algo demodé, os cantos dos manifestantes enchiam a praça da República, 35 mil pessoas presentes.  Talvez pouco comparados com os 2 milhões de pessoas nas ruas de Paris em 68, 10 milhões em toda a França. Mas aquele espírito, mesmo com todo o esforço para empalhá-lo e vendê-lo como produto (não como processo) nas trocentas edições de luxo de livros sobre 68, talvez ainda exista. Transformado, relocalizado nos sans papiers, na fúria dos magrebinos, nos altermundialistas, talvez nos sindicalistas e nos intelectuais bundões. Mas 68 ainda está por fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-5687852844842852007?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/5687852844842852007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=5687852844842852007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/5687852844842852007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/5687852844842852007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/05/paris-qui-mesure-notre-moi.html' title='Paris qui mesure notre émoi'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-7677799533252859568</id><published>2008-05-20T16:24:00.002-03:00</published><updated>2008-05-20T16:28:33.402-03:00</updated><title type='text'>Pequenos Acidentes Cotidianos I e II</title><content type='html'>E o Pereira era lateral direito.&lt;br /&gt;Foi na final do campeonato, contra o Riacho Doce.&lt;br /&gt;O Pereira foi lançado, deu o pique, mas entrou numa fenda no espaço-tempo e desapareceu.&lt;br /&gt;- Cruza a bola logo, Pereira! - reclamou Raimundo, o centroavante, livre na pequena-área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adamastor sempre fora comedido. Mas naquela noite, antes de ir pra casa, comprou um liqüidificador novo. No entanto, que pena, morreu antes de chegar ao seu destino.&lt;br /&gt;O legista concluiu que o sangue de Adamastor simplesmente mudou de sentido, e o coração teve um colapso.&lt;br /&gt;Todos ficaram muito tristes, mas gostaram do liqüidificador novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-7677799533252859568?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/7677799533252859568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=7677799533252859568' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/7677799533252859568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/7677799533252859568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/05/pequenos-acidentes-cotidianos-i-e-ii.html' title='Pequenos Acidentes Cotidianos I e II'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-3108979263142663382</id><published>2008-05-02T10:04:00.004-03:00</published><updated>2008-05-02T14:17:56.347-03:00</updated><title type='text'>MayDay</title><content type='html'>Eram duas as celebrações mais populares da Inglaterra medieval: a festa de São João (no solstício de verão) e o MayDay. Originalmente, o primeiro de maio era uma homenagem celta e saxã ao deus do sol, Bel. Marcava o fim do inverno, quando a terra estava fértil novamente para o plantio. As comemorações incluiam jogos, máscaras, danças, bebida, comida e sexo. Era escolhida a May Queen, dentre as donzelas do vilarejo, que tinha a missão de zelar pela plantação durante a primavera. Robin Goodfellow (mito predecessor do Robin Hood) era o MC da festa. Uma dança típica era o Maypole, na qual solteiros dançavam ao redor de um poste repleto de fitas, entrelaçando-as na esperança de enlaçar também um(a) companheiro(a). Outra brincadeira de gosto duvidoso era subir até o cume da colina mais próxima, atear fogo em uma roda de madeira e empurrá-la colina abaixo.&lt;br /&gt;A igreja católica não ia muito com a cara da festa, mas acho que os camponeses não estavam nem aí. No começo do século XVIII, as celebrações em Londres duravam 16 dias nos quais o comportamento desordeiro era a praxe. Algo como o carnaval em Salvador. Rolou, então, um lobby pra acabar com o furdunço. Em 1708, por decreto, as comemorações do MayDay se tornaram ilegais.&lt;br /&gt;Eis que o coletivo anarquista Space Hijackers convocou, para este primeiro de maio de 2008, uma manifestação contra os 300 anos de banimento da festa. Na Mayfair (lugar onde tradicionalmente se davam os festejos aqui em Londres), cerca de duzentas pessoas se reuniram à moda antiga, com distribuição de frutas, doces, comidas e bebidas. Máscaras, trajes de época e maquiagem compuseram os figurinos. O primeiro ministro Gordon Brown, a princesa (sic) Camilla Parker Bowles e o candidato conservador à prefeitura de Londres, Boris Johnson, foram devidamente postos no tronco de tortura e alvejados com esponjas molhadas. Na tradicional Maypole dance, várias donzelas encontraram seus cavalheiros (e também várias donzelas encontraram suas donzelas e vários cavalheiros os seus cavalheiros). Para firmar a união, um casamento coletivo em que qualquer pessoa podia casar com quantas pessoas ou coisas que quisesse por um dia. O som ficou por conta de uma bike sound system. Malabares, bolas de plástico, muita cerveja, alguma chuva, algum sol e diversão garantida.&lt;br /&gt;A polícia metropolitana de Londres compareceu em grande número, mas ficou apenas observando a folia. Só foi protagonista no momento da escolha da May Queen. A coroa deveria ter ido pra mão do policial mais bonito do dia, mas ele se recusou a receber, tímido.&lt;br /&gt;Anarquistas, punks, crianças, senhores, hippies, muita cor e música. No final do dia, fui para um restaurante paquistanês, comer uma tradicional refeição inglesa (império é assim - o que é tradicional é aquilo que é pilhado). Pela primeira vez desde que cheguei aqui estava numa mesa só com ingleses. Divertidíssimo.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI8lAKeZI/AAAAAAAAAAY/kSE0OGX3NTM/s1600-h/DSCF0369.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 459px; height: 344px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI8lAKeZI/AAAAAAAAAAY/kSE0OGX3NTM/s320/DSCF0369.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195826800664148370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI9FAKeaI/AAAAAAAAAAg/o3o02ag4Yqk/s1600-h/DSCF0335.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 459px; height: 344px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI9FAKeaI/AAAAAAAAAAg/o3o02ag4Yqk/s320/DSCF0335.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195826809254082978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI9lAKebI/AAAAAAAAAAo/e44MJTjHJGY/s1600-h/DSCF0337.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 458px; height: 343px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI9lAKebI/AAAAAAAAAAo/e44MJTjHJGY/s320/DSCF0337.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195826817844017586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-e097f5198a46966f" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v11.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3De097f5198a46966f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330287452%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D848B157BE69E4B1806BAD4CB27800C594A311F66.54B1E26DFA4EC36A739545B8BE5650275A9A57A8%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3De097f5198a46966f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DLWy9hELkhAlVSow3NBtJXao-y7w&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v11.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3De097f5198a46966f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330287452%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D848B157BE69E4B1806BAD4CB27800C594A311F66.54B1E26DFA4EC36A739545B8BE5650275A9A57A8%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3De097f5198a46966f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DLWy9hELkhAlVSow3NBtJXao-y7w&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais fotos &lt;a href="http://fsalvatti.multiply.com/photos/album/8/MayDay"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS.: A história do primeiro de maio como dia do trabalho é bem mais recente. Nos 1880's os operários lutavam pela legalização de oito horas diárias como jornada de trabalho. Em 01/05/1886 houve uma greve de 50 mil trabalhadores em Chicago.&lt;br /&gt;Em 2000 o Reclaim the Streets e outros grupos de ativistas organizaram aqui em Londres um MayDay com  "guerrilha de jardinagem" a fim de plantar mudas de flores, comidas e plantas não muito lícitas nas praças, jardins e ruas da cidade. Até a estátua de Winston Churchill ganhou um moicano de grama. Em 2001 a iniciativa foi a de transformar a cidade no jogo Monopoly (o nosso Banco Imobiliário). Não consegui entender exatamente como funcionou, mas ocasionou o fechamento da Oxford Street (centro de compras dos turistas) e enormes prejuízos financeiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-3108979263142663382?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=e097f5198a46966f&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/3108979263142663382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=3108979263142663382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/3108979263142663382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/3108979263142663382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/05/mayday.html' title='MayDay'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_BEOWoLmSiOQ/SBtI8lAKeZI/AAAAAAAAAAY/kSE0OGX3NTM/s72-c/DSCF0369.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-4433281962921898876</id><published>2008-04-21T10:44:00.004-03:00</published><updated>2008-04-21T14:11:53.916-03:00</updated><title type='text'>Vastas emoções e Pensamentos imperfeitos</title><content type='html'>Desde a Páscoa não me detenho a contar aqui de maneira mais pessoal as coisas que me acontecem cá em Londres. Peço perdão aos órfãos destes relatos (que, creio, não são lá a esmagadora maioria da população mundial), mas ando passando por um processo de sedimentação de todas as novas informações, descobrindo coisas sobre mim, sobre as pessoas, sobre o meu país e o mundo. Claro que isso é muito subjetivo e caótico, mas, vá lá, aqui coloco, para  os que assim quiserem, algumas novidades e extratos filosófico-emocionais. Todos apertaram seus cintos?&lt;br /&gt;Pois bem, de fato, como já anunciava no post de 22.03.08, me mudei para Stratford. A vizinhança é menos agradável do que Forest Hill, mas tem amplas vantagens. A principal delas é que eu sou obrigado a falar inglês com meus flatmates (um italiano, dois eslovacos e uma inglesa). É mais perto da universidade e do lugar onde estou fazendo bico. Esta é a segunda novidade. Duas vezes por semana trabalho como garçom no Royal College of Physicians, uma instituição médica destas chiques. Basicamente o serviço é atender às demandas por coquetéis, recepções e jantares vinculados aos eventos do RCP. Na prática, consiste em fazer cara de simpático, providenciar bebidas, comidas e acepipes  de toda sorte para ingleses cheios de grana.&lt;br /&gt;Este trabalho, claro, é legado aos "outros" como eu. (Lembrei de um trecho do "Muito Além do Cidadão Kane", em que o trabalhador do frigorífico diz: "Eu só carrego a carne, eu não como") A criadagem reúne brasileiros (muitos, nós somos como um vírus), portugueses, poloneses, congoleses, nigerianos, tailandeses, chineses, birmaneses, camaroneses. Um povo bacana, que compartilha suas experiências e diferenças. A gente acaba aprendendo palavrão em muitas línguas diferentes. Mas a análise deste processo não se resume, como vocês podem supor, aos palavrões.&lt;br /&gt;Primeiro, é um reflexo brutal da colonização do Império Britânico combinado com a globalização neoliberal mais recente. A mão de obra barata invade a Inglaterra, provocando um achatamento generalizado dos salários e uma reação racista/nacionalista de uma direita das classes populares. Por que destinar nossos impostos para a seguridade social destes "outros"?, perguntam eles. Não sei qual o critério adotado para a seleção, mas aqui o estado providencia moradia (os "councils flats") para os desprovidos, bem como uma remuneração equivalente ao salário mínimo. Sem dúvida, uma parcela de má fé sempre há quando se trata de assistencialismo, e vai mamar nas tetas do estado enquanto elas derem leite. Mas foi eu só dizer que "a Inglaterra literalmente trucidou econômica, política e culturalmente algumas destas nações que agora precisam de alguma forma ser compensadas", para olhares anti-comunistas pesarem sobre os meus ombros.&lt;br /&gt;Segundo, é muito curioso o que acontece com as relações entre pessoas de classes sociais diferentes nos seus países de origem. Claro que a classe A quando viaja para qualquer cidade do mundo continua tendo os mesmos privilégios. Mas eu penso numa espécie de "achatamento" entre as classes B, C e D (porque a E jamais viria para a Inglaterra). Explico-me: aqui todo mundo é "outro". Todo mundo está com a mesma farda e bandeja na mão, sorrindo e dizendo "May I help you, sir?" num inglês precário. Não importa se o retrospecto no Brasil era de empregada doméstica, estudante universitário ou pequeno empresário.  O barco é o mesmo. Raspas e restos nos interessam.&lt;br /&gt;Como diz a Silvia, grande amiga que descolou este bico, "você fica amigo de pessoas das quais você nunca seria no Brasil". Sim, porque simplesmente não frequentaríamos os mesmos lugares, não consumiríamos as mesmas coisas. Triste mundo este onde o consumo determina o vínculo pessoal.&lt;br /&gt;O domínio da língua é outro tópico importante. Na nossa língua-mátria temos uma flexibilidade e uma capacidade de nuances lexicais e estilísticos que subitamente desaparece&lt;br /&gt;quando você está submerso em outro ecossistema lingüístico. Estudei inglês boa parte da minha adolescência, sempre li em inglês, arrisquei algumas traduções, treinava com estrangeiros sempre que tinha oportunidade. Mas, mesmo quando elogiam a minha fluência e se admiram que eu esteja aqui há um mês, me sinto um pouco tolo. Me falta a palavra adequada, a ginga que a gente adquire na intimidade com o idioma. Talvez seja só uma preocupação preciosista, talvez isso venha com o tempo. Mas por enquanto é estranho.&lt;br /&gt;Tenho me descoberto também. Coisas que não caberiam em palavras, ou que soariam ingênuas, ou íntimas demais. Acho que, resumidamente, tenho exercitado minha capacidade de juízo. E, sem filosofia de auto-ajuda, venho pensando que a gente tem que ser pró-ativo em direção às coisas que nos são caras. Amores, convicções, planos, conquistas. Todos demandam nossa tomada de atitude. Quero ser mais atento a isso.&lt;br /&gt;Quanto à minha pesquisa, ainda estou encontrando o ritmo, acho que estou melhor. Mas há um difícil equilíbrio entre produção e produtivismo que é preciso ajustar sempre. E, no mais, há minha histórica síndrome de procrastinação. Minha querida &lt;a href="http://marciabechara.blogspot.com/"&gt;Jezebel&lt;/a&gt; me mandou um &lt;a href="tp://br.youtube.com/watch?v=UXziurFkQxM"&gt;youtubinho&lt;/a&gt; sobre o assunto. E eu resolvi sair do armário: Sou um procrastinador! Sem orgulho, meio culpado. Os alcólicos anônimos dizem que o primeiro passo é assumir a doença. Aí está assumida. Um aplauso por eu compartilhar com vocês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-4433281962921898876?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/4433281962921898876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=4433281962921898876' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/4433281962921898876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/4433281962921898876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/04/vastas-emoes-e-pensamentos-imperfeitos.html' title='Vastas emoções e Pensamentos imperfeitos'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-2631451657894576646</id><published>2008-04-21T10:20:00.002-03:00</published><updated>2008-04-21T10:41:41.121-03:00</updated><title type='text'>Polônio</title><content type='html'>Recomendado pelo &lt;a href="http://ofabro.blogspot.com/"&gt;Fabro&lt;/a&gt;, fiz meu account no google analytics, que é uma ferramenta de análise de visitas em websites. O negócio é divertido, porque mostra diversas informações sobre os visitantes destas plagas. Por exemplo, sei que tenho um leitor em Muhlhausen, na Alemanha, e outro em Hillside, nos EUA. Outra curiosidade é que um leitor chegou até este blog procurando por "qual a importância do polônio para os nossos organismos?" Não tenho certeza se ele se satisfez com o que encontrou por aqui, mas para não frustrá-lo numa eventual próxima visita, recomendo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%B4nio"&gt;este artigo&lt;/a&gt; da Wikipedia, a fim de contribuir com sua pesquisa.&lt;br /&gt;Obviamente, quero testar os truques famosos para aumentar visitas em blogs, por exemplo, escrevendo aqui "Fotos grátis Playboy de maio" ou "Download mp3 Ivete Sangalo". Depois eu conto se funciona.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-2631451657894576646?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/2631451657894576646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=2631451657894576646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2631451657894576646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2631451657894576646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/04/polnio.html' title='Polônio'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-6223662398820329415</id><published>2008-04-10T06:37:00.002-03:00</published><updated>2008-04-10T06:41:48.206-03:00</updated><title type='text'>Fear God</title><content type='html'>Do termo de garantia da bike que eu comprei aqui pra evitar o pagamento semanal de 28 libras por metrô/ônibus:&lt;br /&gt;"This guarantee does not cover any parts or labour needed to theft or accident, punctures or other acts of God."&lt;br /&gt;Quer dizer, a bike não é à prova dos atos de Deus!&lt;br /&gt;Assim não dá...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-6223662398820329415?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/6223662398820329415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=6223662398820329415' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6223662398820329415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6223662398820329415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/04/fear-god.html' title='Fear God'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-5375650759353440116</id><published>2008-03-25T21:57:00.003-03:00</published><updated>2008-03-25T22:30:27.988-03:00</updated><title type='text'>Easter bunny</title><content type='html'>Preâmbulo: (Pra começar, é preciso que eu conte um episódio que ocorreu na Páscoa de 2000. Era abril, e eu tinha ido no aniversário da minha querida amiga Guta Ruiz (Guta, um beijo!), no Aoca, em Curitiba, quando Aoca ainda era suportável. Depois da festa, pelas 4h da manhã, dei carona pra algumas pessoas, e o último a ser deixado em casa foi o Téo, irmão da Guta. Da casa deles pra minha eram uns poucos quilômetros, num bairro residencial da capital paranaense. Eis que, não mais que de repente, passa um coelho correndo na frente do meu carro! Ora, o que um coelho estaria fazendo no Jardim das Américas entre o sábado e o domingo de Páscoa, às quase cinco da manhã? A resposta só podia ser uma - estava entregando ovos. E eu quase o atropelei!&lt;div&gt;&lt;div&gt;E é por isso, por causa dessa revelação, que, ao contrário de anjos, gnomos, fadas, santos, mandala, zodíaco, buda, alá, thor, zeus, cabala, energia cósmica, deus, curupira ou papai noel, eu passei a acreditar no Coelhinho da Páscoa.)&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Oito anos se passaram e eu acordo com um sms da querida Silvia: "Olha, está nevando!" Eu levantei, abri a janela e estava nevando de verdade, flocos gordos caindo de mansinho, nada daquela nevezinha mixa do sábado. O Coelhinho da Páscoa tinha trazido a neve de presente! Acordei o Pael, que ficou louco como uma criança, e decidiu sair lá fora, de pantufas, brincar na neve. Realizou seu sonho de infância: arremessou uma bola de neve na cara de alguém. Eu fui o alvo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais tarde, fui até a casa da Silvia pro almoço de Páscoa, com vários brasileiros e um delicioso camarão na moranga preparado pela dupla Silvia &amp;amp; João. Domingo gostoso com amigos. Eles me disseram que, longe do Brasil, às vezes quase esquecem datas comemorativas. Assim como São Paulo, Londres também engole as pessoas no seu ritmo frenético de produção, e nada mais resta do que a rotina trabalho-casa-trabalho. Como o aluguel é em (muitas) libras, os brasileiros (e, claro, os paquistaneses, os poloneses, os nigerianos, os caribenhos, os &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;outros &lt;/span&gt;deste mundo) tem de trabalhar dobrado, às vezes triplicado, pra empatar com as contas. Data festiva acaba sendo minimizada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não que não haja diversão. A Ju, curitibana, e o Steve, inglês, que conheci na casa da Silvia, me levaram para uma night londrina tradicional. O clube chama-se The End e é conjugado com um outro, o AKA, e tem três pistas. Depois de uma hora congelando na fila de entrada, muita música eletrônica, gente esquisita e quetais. Eu chacoalhei o esqueleto até ser vencido, pelas 4h da manhã, por uma dor na lombar. Acho que ando carregando mochila demais. De qualquer maneira, o Coelhinho da Páscoa foi camarada no meu domingo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só podia ter caprichado mais no timing do 176, o Night Bus que me traz pra casa. Fiquei 35 min virando picolé esperando por ele. Até comecei um samba, quem quiser que termine. Chora cavaco!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Um Sete Meia me leva pra onde eu quiser&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Leva pra Elephant and Castle,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E até pra Trafalgar Square!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(olha o breque!)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-5375650759353440116?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/5375650759353440116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=5375650759353440116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/5375650759353440116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/5375650759353440116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/03/easter-bunny.html' title='Easter bunny'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-7837885520830208429</id><published>2008-03-22T12:45:00.004-03:00</published><updated>2008-03-22T13:52:41.581-03:00</updated><title type='text'>É feia. Mas é uma flor.</title><content type='html'>Parafraseando o verso de Drummond, "É mixa. Mas é neve". Hoje caíram uns floquinhos. Tímidos, feios, como a flor do poema, também furaram o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.&lt;br /&gt;Quis até fotografar, mas de tão mixos, os flocos não se deixaram ser percebidos pela câmera. Aí, cinco minutos depois, veio o sol e transformou tudo em água. O clima desta cidade é muito louco. Ontem estava um solzinho, em quinze minutos o céu estava preto, caiu granizo durante cinco, e dez minutos depois lá estava o sol novamente.&lt;br /&gt;Eu, por aqui, vou ficando amigo íntimo do protetor labial, do lenço para nariz, do cachecol que a Lala fez pra mim e do meu gorrinho.&lt;br /&gt;Queria mandar um abraço todo especial pro cara que fez o London A to Z, êta camarada bacana, sô. Me leva do desconhecido a mares nunca dantes navegados com relativa tranqüilidade.&lt;br /&gt;Que mais de novidade? Ontem fui jantar em Stratford, na casa em que a Lucianna morava, e há grandes chances que eu ocupe o quarto que ela ocupava. Os donos da casa moram no térreo, são um casal jovem - o Mario, italiano, pizza chef, e a Katrina, eslovaca, estudante de obstetrícia. Tem outro eslovaco morando lá, o Vlad, e Rocco, cachorro Labrador, inglês. Vamos ver como as coisas se desenrolam, mas a tendência é a de eu ir pra lá.&lt;br /&gt;Na terça eu vou fazer uma entrevista pra ser garçom. É que a Silvia, amiga do Ju, é manager de um cattering service, e esse esquema permite que vc trabalhe quanto e quando vc pode. Extra cash, only. Amanhã, aliás, vou ao almoço de páscoa na casa dela.&lt;br /&gt;Por falar em Páscoa, aqui não tem a febre pelos ovos que tem no Brasil. Os ovos de páscoa ocupam sua prateleira modesta no mercado, mas não são embrulhados com papel colorido, de todos os tamanhos. Eles vem numa caixa simples, bem sem-graça. Eu, que faz tempo que não sou de Páscoa, gostei.&lt;br /&gt;Outra novidade é que organizei o álbum de fotos, e quem quiser ver o que ando clicando pode fazê-lo  &lt;a href="http://fsalvatti.multiply.com/photos/album/3/London_Times#"&gt;aqui.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bem, sinto saudades de todos (menos do que não sinto), mas me sinto feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-7837885520830208429?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/7837885520830208429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=7837885520830208429' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/7837885520830208429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/7837885520830208429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/03/feia-mas-uma-flor.html' title='É feia. Mas é uma flor.'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-67553480665935658</id><published>2008-03-18T21:50:00.002-03:00</published><updated>2008-03-18T21:59:21.537-03:00</updated><title type='text'>London Times</title><content type='html'>God save the queen!&lt;br /&gt;To aqui, na Terrinha (Terra da Rainha), e pela infâmia da piada vcs podem perceber como anda o meu humor. Deixei acumular alguns dias de experiência antes do primeiro relato de viagem, o que, por um lado, vai me impedir de pormenorizá-lo demais, mas, por outro, vcs não terão que ouvir meu espanto sobre as pequenas coisas bobas do cotidiano (por exemplo, o Santander aqui se chama Abbey Bank - tá e daí?).&lt;br /&gt;Pois bem, quero começar com o vôo. De quarta pra quinta não dormi quase nada, fiquei vendo tv e tomando Bordeaux (!) até a 1h da manhã (do Brasil). Daí, dei uma cochiladinha, e quando acordei, o dia estava começando a clarear, naquele lusco-fusco bem antes do sol aparecer, o céu limpinho, o avião sobre o Atlântico e Lisboa no horizonte. Lindo. Belo começo de dia.&lt;br /&gt;Pues, tivemos que esperar pra aterrizar no Heathrow, pista cheia e tals. Enquanto isso, o piloto deu uma volta (que, pelos meus mínimos cálculos de geografia, não deve ser comum) e tivemos uma bela vista do Tâmisa, Fui reconhecendo os poucos pontos turísticos que me são familiares...&lt;br /&gt;Enfim. Na imigração, só uma coisa estranha. Tive que ir pro exame médico, onde me perguntaram "trouxe o Raio X de tórax?". "No, ma'ham". Eles estão com medo de tuberculose. Cheio de cartazes na salinha de exames. Tirei a chapa do pulmão ali mesmo. Tudo ok. Ainda bem que não barram quem tem rinite, porque eu vim espirrando de São Paulo até Londres, meu nariz chegou vermelhaço.&lt;br /&gt;O André, meu amigo de fé e gentil anfitrião na chegada, não estava me esperando no saguão, o que me deu uma micro paúra de meia hora. Eu não tinha plano B. Felizmente, ouvi o sistema de informações me anunciar do jeito mais engraçado que alguém já disse meu nome até hoje. Pronto, era público, pra quem quisesse ouvir. Eu havia chegado.&lt;br /&gt;Fomos, eu e André, para a casa em que ele estava hospedado. Ele não parecia muito animador sobre a possibilidade de eu ficar hospedado lá até domingo, quando faríamos a mudança para nossa home sweet home. Quando chegamos na casa dos garotos, pude entender porquê. Três quartos pequenos com nove pessoas morando, uma baderna de grandes proporções e um só banheiro. Nem que eu quisesse eu caberia naquele flat. Tomei um banho, pedi que eles armazenassem minha mala, fiz uma mochila de emergência e saí pra rua. Era preciso por a cabeça, a agenda telefônica, e, em últimos casos, o bolso para funcionar.&lt;br /&gt;O problema é, vejam vcs, que este país dá um golpe absurdo em quem precisa de telefonia pública. Primeiro, é caro pra cacete. Segundo, vc insere moedas e ele não devolve troco. Já havia perdido alguns pounds tentando falar com o André quando eu estava no aeroporto, e perdi mais alguns tentando falar com a minha modesta lista de telefones que, para meu desespero, não atendiam.&lt;br /&gt;Bem, deixei isso de lado por um momento, e fui até a Universidade para me registrar. Quem sabe eu conseguisse um poso por lá mesmo e afogava os dois coelhos na mesma caixa d'água. Qual o quê. A Queen Mary University of London (eu ia escrever "as universidades britânicas", mas não quis fazer uma generalização injusta) padece do mesmo mal de funcionalismo que as suas colegas brasileiras. Os sistemas de informação são precários e ineficientes, eles ficam te jogando de uma sala e de um setor pra outro, sem vc saber ao certo quando a situação kafkiana será resolvida. Depois de muitas indas e vindas (e muitas retiradas e colocadas de casaco - fora, frio de 5 graus, dentro, morninho de 17), descobri que o cara que cuidaria do meu caso era o senhor Peter Smith, que estava em reunião e só voltaria no dia seguinte. Também minha tentativa de conseguir uma hospedagem estudantil foi frustrada: só no dia seguinte e ao preço de 31 pounds.&lt;br /&gt;Bem, felizmente a internet resolve a vida das pessoas. Não lembro como se vivia antes disso. Numa incrível combinação de GTalk, MSN e Skype, e umas 10 pessoas conectadas de várias cidades diferentes (agradecimentos especiais para Fabro, Lala, Paulo Biscaia, Maitê Chasseraux, Demian Garcia), consegui um abrigo na casa de Gaël Lecornec, amiga do Demian que vai ganhar um parágrafo só pra ela, mais abaixo.&lt;br /&gt;Antes, porém, é preciso narrar o primeiro pint londrino, com minha amiga Lucianna Raitani, querida sócia na EmCômodo Teatral. Pegamos um bus de Mile End, onde fica a Universidade, e fomos para Bank, parte financeira da cidade, como o próprio nome indica. No O'neils, um pub que faz parte de uma rede, duas canecas fizeram meu inglês melhorar um pouco. Estava pronto para encontrar Gaël.&lt;br /&gt;Ela é atriz, diretora, poeta e produtora, de acordo com o seu amigo Daniel, que eu também encontrei no Young Vic, teatro em que eles tinham ido assistir a uma peça. A casa dela fica em Motingham, sudeste da cidade, zona 4 (Londres é dividida por zonas que são mais ou menos círculos, partindo do centro - que é zona 1, até a periferia bem periferia, que é zona 6). Lá encontrei Josué, marido da moça, músico e tão gente boa quanto ela. No quarto em que eles me abrigaram, quentinho e com um colchãozão de casal só pra mim, eu pude dormir o sono dos justos.&lt;br /&gt;Não em quantidade suficiente, é claro, porque no dia seguinte, sexta, acordei cedinho para pagar o aluguel junto com o André. Ocorre que ele foi misteriosamente lesado pelo banco (que cobrou duas vezes a mesma conta) e eu banquei o que faltava pra completar o aluguel do mês (925 pounds por um ap de dois quartos sala, cozinha e banheiro. Multipliquem por 3,4 se tiverem vontade). Após isso, compras!&lt;br /&gt;Itens de sobrevivência: telefone celular, câmera fotográfica (comprei uma Fuji S5800 por 129 pounds) e um Ipod. Agora já posso viver longe de casa - tenho como ser achado, como mandar lembranças e como me divertir.&lt;br /&gt;Queen Mary, tentativa 2: Mr Peter Smith estava lá, em sua sala e com seu cabelo engraçado. Mas, oh, o formulário não tinha sido impresso e, por isso, eu precisaria voltar na segunda feira...&lt;br /&gt;Só na manhã do terceiro dia eu senti o jet lag. Fui dormir pela 1h da manhã, após uma garrafa de vinho e um belo papo com Josué, e acordei a 1h da tarde, achando que eram 9h da manhã. Bizarro.&lt;br /&gt;Fui conhecer o pub em que o André trabalha, o Henry's. Lugar simpático, e é impressionante o moço trabalhando: velocidade absurda, fazendo trocentos drinques com trocentos clientes berrando na orelha dele. Não me impressiona que ele não tenha vontade de balada depois de oito horas disso...&lt;br /&gt;Em seguida, fui encontrar a Mica, amiga de Curitiba, que morou em Bolonha e em Leipzig, e que trabalha no Wyndham, um teatro comercial no West End. Após um vinhozinho no foyer do teatro (ah, é claro que eu já tinha tomado dois pints e um mojito no Henry's...), fomos encontrar uns amigos italianos dela num pub e eu só contei até o terceiro pint. Ainda trocamos de bar, fomos beber num kebab shop, e a coisa ficou etilicamente feia. A missão ingrata foi voltar bêbado pra casa, de um lugar em que eu não fazia a mínima idéia de onde eu estava, usando para isso um ônibus que eu nunca tinha pegado. Para a felicidade de todos, a missão foi comprida com louvor. Eu fui até escovando os dentes no meio da rua, caminhando sozinho na fria noite londrina (as coisas que as pessoas aprontam...)&lt;br /&gt;O domingo começou com uma guerra nuclear dentro da minha cabeça, mas o necessário desafio do pub inglês estava superado! Era só tomar água e descansar. E foi o que eu fiz até a hora de ir pra Henry's de novo, pegar minha bagagem e mudar para Flat 4 Fairbank, 4 Taymount Rise, Forest Hill, SE23 3UX, London, que é onde vou morar até começo de abril. Chegando em casa, conheci Pael, que é o louco com quem eu vou dividir o quarto durante este período. O guri é engraçado e gente boa, contrasta com essa cidade fria, cinzenta e sem grandes envolvimentos pessoais. Todas as relações são só as suficientes. Nada passa daí. A Lu diz que é a cidade do "sorry".&lt;br /&gt;Na segunda-feira eu finalmente consegui êxito na minha registration no Queen Mary! Já tenho cartão de estudante e tudo. Aproveitei, já que estava lá em Mile End mesmo, para fazer um ensaio de um dia de trabalho na biblioteca. Foi bem bom. Consegui reunir bibliografia, dar uma selecionada em trechos importantes, fazer uma leitura diagonal. Acho que meus dias de trabalho por aqui serão divertidos.&lt;br /&gt;Hoje fui com Pael me apresentar a imigração (é necessário que vc vá bater continência lá antes de uma semana da sua chegada) e consegui abrir uma conta no HSBC. O atendente foi o primeiro inglês gente boa com quem eu conversei. Ele também estudou na Queen Mary, foi jogador de futebol profissional nos EUA e adora capoeira. Parceiro total. Talvez eu até vá conhecer a capoeira dos gringos numa quarta-feira qualquer.&lt;br /&gt;Certamente não na semana que vem, porque estarei no estádio do Arsenal VENDO O JOGO DO BRASIL! Ha! Foi uma graninha (35 pounds) mas quando eu poderia repetir isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço pros mano, beijo pras mina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS.: Como vcs podem perceber, vou usar a desculpa da viagem pra desempoeirar este espaço. Os incomodados que se retirem. E MIND THE GAP!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-67553480665935658?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/67553480665935658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=67553480665935658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/67553480665935658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/67553480665935658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2008/03/london-times.html' title='London Times'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-8018603519689302707</id><published>2007-06-18T23:55:00.002-03:00</published><updated>2007-06-18T23:58:25.344-03:00</updated><title type='text'>PS</title><content type='html'>Lembrei de outro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;about me&lt;/span&gt; do post anterior.&lt;br /&gt;Dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fab four&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Half of what I say is meaningless&lt;/span&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-8018603519689302707?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/8018603519689302707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=8018603519689302707' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/8018603519689302707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/8018603519689302707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/06/ps.html' title='PS'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-2161934987229989693</id><published>2007-06-05T02:34:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T03:17:30.845-03:00</updated><title type='text'>About me</title><content type='html'>Já está ficando chato. Vocês devem estar pensando: "lá vem ele com o papo da insônia..." Bingo! Algumas palavras sobre isso:&lt;br /&gt;O problema é quando estou dormindo e sou acordado. Daí (e principalmente se eu levanto por qualquer motivo) eu não consigo voltar a dormir. Não é falta de sono, eu estou com um sono poderoso, é falta de competência pra dormir. E hoje fui acordado de um jeito escroto e combinado: primeiro por batidas de portas de pessoas que não tem nenhum talento para fechá-las sem fazer barulho. Depois, tentando retomar o fio da meada, fui impossibilitado pelo cheiro de tabaco. Alguma corrente de ar o trouxe para o meu quarto e, então, acabou-se qualquer pretensão de noite de sono. Mas todos os responsáveis (se estiverem lendo saibam disso) já estão devidamente amaldiçoados.&lt;br /&gt;O engraçado é que meu rádio-relógio vai despertar 4:10 pra eu pegar um vôo pra BH, onde vou participar de um congresso. Tendo dormido meia hora (das 0h15 às 0h45) imagino que dia divertido de congresso terei amanhã/hoje.&lt;br /&gt;Mas como nem só de rabugentice vive o homem, resolvi tratar de um assunto banal (mais um) nestas mal-traçadas linhas. É que aquele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mal du siècle&lt;/span&gt; chamado orkut tem, em suas perguntas elementares, uma que propõe "quem  sou eu".&lt;br /&gt;Como se a história da filosofia não tivesse gastado tinta o suficiente num embate entre essência e existência, como se a inexprimível aventura de viver pudesse ser condensada em meia dúzia de linhas, lá está o orkut a nos perguntar quem somos. Como todo fenômeno de cibersociabilidade (como este blog inclusive) demanda uma certa condescendência, topei o desafio, e sempre escrevo quem "estou" eu, e sempre o mudo quando eu mudo.&lt;br /&gt;Obviamente, pra fazer jus, quase sempre recorro a plágios ou homenagens.&lt;br /&gt;O atual é uma citação do Beckett:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- Por que vc não pára de viver?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- Eu não estou insatisfeito o suficiente.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Recentemente usei um trechinho do Carroll, do nono capítulo da Alice na Wonderlândia (não sei porque as pessoas não traduzem assim):&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nunca imagine que não ser diferente daquilo que pode parecer aos outros que você fosse ou pudesse ter sido não seja diferente daquilo que tendo sido poderia ter parecido a eles ser de outra forma&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;Antes disso, a abertura linda da Tabacaria, do Álvaro de Campos:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não sou nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nunca serei nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não posso querer ser nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Uma frase-ninja do Veríssimo, do Jardim do Diabo:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não me entenda muito depressa.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Uma da minha lavra:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Subo escadas de dois-em-dois-degraus.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Uma pop-seu-jorge:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se eu pudesse eu não seria um problema social.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Uma updated com o movimento estudantil:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ocupe a reitoria que existe em você.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;Enfim, só algumas pistas de quem sou/estou, a quem interessar possa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-2161934987229989693?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/2161934987229989693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=2161934987229989693' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2161934987229989693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2161934987229989693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/06/about-me.html' title='About me'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-321319931738165823</id><published>2007-05-10T18:02:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T18:04:20.337-03:00</updated><title type='text'>1000</title><content type='html'>Três posts no mesmo dia? O que está acontecendo com meu desleixo?&lt;br /&gt;Bem, este é breve. Só pra dizer que o contador ali à direita tava apontando 995 quando escrevi isso. Quem for o visitante número 1000 ganha um pirulito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-321319931738165823?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/321319931738165823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=321319931738165823' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/321319931738165823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/321319931738165823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/05/1000.html' title='1000'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-6018301025617827973</id><published>2007-05-10T17:59:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T18:01:39.757-03:00</updated><title type='text'>Heresias breves</title><content type='html'>Caras, nunca tentem ter um papa em vossas cidades.&lt;br /&gt;O trânsito fica um caos, barulhos de sirenes, helicópteros e buzinas.&lt;br /&gt;O papa transforma a cidade num inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ora, é só. É com você, Bonner.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-6018301025617827973?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/6018301025617827973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=6018301025617827973' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6018301025617827973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6018301025617827973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/05/heresias-breves.html' title='Heresias breves'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-6367923167460974701</id><published>2007-05-10T06:32:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T07:03:49.219-03:00</updated><title type='text'>Tarantino</title><content type='html'>Adivinhem? Pois é. Acertou quem disse "mais uma insônia do Fabio". É só falar com a produção e pegar seu prêmio.&lt;br /&gt;Hoje estou sem sono e sem humor, por isso vou ser menos infame do que de costume.&lt;br /&gt;É que eu vi um curta que gostaria de recomendar. Chama &lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=1511515986562993804"&gt;Tarantino's Mind&lt;/a&gt;, foi dirigido pelo coletivo 300ml e, como o próprio nome já diz, trata do universo do cineasta nipo-cinéfilo.&lt;br /&gt;Confesso que já me sinto algo emancipado das tarantinices, principalmente depois dos Kills Bills, que pouco me apetecem. Restam, com carinho, as minhas recordações adolescentes de Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e também de Assassinos por Natureza (roteiro de Tarantino com direção de Oliver Stone).&lt;br /&gt;De qualquer modo, Tarantino's Mind tem uma intrincada tese (que obviamente não reproduzirei aqui) sobre os filmes do cara. As atuações do Selton Mello e do Seu  Jorge estão impagáveis, e a direção de arte é competente.&lt;br /&gt;Contra o curta, pesa a cara de "cinema de publicitário" e uma certa apologia a um cinema "neo-autoral" (com todas as aspas que isso mereça) da citada (no filme) "nova geração": Jean Pierre-Jeunet, Spike Jonze, irmãos Coen (e o roteirista para por aqui, mas certamente  acrescentaria Michel Gondry, Sofia Coppola, Danny Boyle, Darren Aronofsky e outros moderninhos). Não sei se eu estou ficando velho, chato, os dois, ou é só meu mau humor de insone, mas, ainda que eu reconheça que, assim como o Tarantino, eles tenham sido importantes pra minha formação de cinéfilo lo-fi (não para a formação de cinéfilo hi-fi dos Fassbinders, Bergmans, Viscontis, Tarkovskis, Kurosawas, Bressons, Eisensteins, etc - um dia eu chego lá) eu tenho tido uma puta preguiça desses caras. Talvez culpa de coisas como Kill Bill e Marie Antoinette's da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-6367923167460974701?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/6367923167460974701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=6367923167460974701' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6367923167460974701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/6367923167460974701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/05/tarantino.html' title='Tarantino'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-436853700686878601</id><published>2007-05-04T03:27:00.000-03:00</published><updated>2007-05-04T03:37:57.599-03:00</updated><title type='text'>Na era de sua reprodutibilidade</title><content type='html'>Esse blog tem se movido (a passos lentos, lentíssimos) por insônias. Hoje fui contemplado por (ou com) mais uma. Decidi, então, ligar esta máquina de fazer loucos chamada computador e postar uma infâmia que veio à minha mente há alguns dias.&lt;br /&gt;Trata-se de uma auto-paródia. Há que se ter um tanto de empáfia para se fazer auto-paródia, inda mais em se tratando de um blog com uma avassaladora multidão de leitores. Não é mesmo, pessoal? (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ninguém responde&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Pois bem, é uma corruptela do post anterior, da supra-citada (nesse caso, sub-citada, já que os posts anteriores vêm abaixo) campanha de desevangelização. E é também uma piada-interna, que dialoga só com aqueles que, como eu, tem apreço pelo velho Walter Benjamin. Ei-la:&lt;br /&gt;- Perca a aura da obra de arte agora mesmo, pergunte-me como.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-436853700686878601?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/436853700686878601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=436853700686878601' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/436853700686878601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/436853700686878601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/05/na-era-de-sua-reprodutibilidade.html' title='Na era de sua reprodutibilidade'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-1133038567954985106</id><published>2007-04-23T03:34:00.000-03:00</published><updated>2007-04-23T03:47:41.576-03:00</updated><title type='text'>Jesus, I did it again!</title><content type='html'>Motivado por uma monstruosa, maldita e injustificável insônia, resolvi resgatar neste abandonado fórum de discussão a talvez também abandonada &lt;a href="http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/campanha-de-desevangelizao.html#comments"&gt;campanha&lt;/a&gt; que lancei em agosto último. No paredão, ele, ou Ele, Jesus. Ou, como diria minha adorada amiga Mariana Carpanezzi (de quem tenho muitas saudades. beijo, Mari!): Cris, O Salvador.&lt;br /&gt;Bem, não se anime, povo, que a contribuição é breve e infame:&lt;br /&gt;- Perca Jesus agora mesmo, pergunte-me como.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-1133038567954985106?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/1133038567954985106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=1133038567954985106' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/1133038567954985106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/1133038567954985106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/04/jesus-i-did-it-again.html' title='Jesus, I did it again!'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-8659580859165357728</id><published>2007-03-15T20:17:00.000-03:00</published><updated>2007-03-19T01:04:49.894-03:00</updated><title type='text'>Limite e contundência</title><content type='html'>"Metade Hieronymus Bosch, metade &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Massacre da Serra Elétrica&lt;/span&gt;". A breve descrição biográfica do fotógrafo nova-iorquino Joel Peter Witkin dão uma pálida idéia do universo a ser descortinado em sua obra. Sua fotos me foram apresentadas pelo não menos inquieto Gavin Adams, já há seis anos. Desde então, o fotógrafo tem sido para mim um paradigma de radicalidade na arte. Entre o escatológico, o pornográfico e o fetiche do bizarro, as fotos de Witkin trazem cadáveres esculpidos, modelos deformados, retalhos humanos, recontextualizados em situações mitológicas, sagradas.&lt;br /&gt;A arte, ah, a arte, pela qual muitas vezes nutrimos uma silenciosa (ou uma gritante) indiferença, que com muita freqüência não nos (me, ao menos) mobiliza para nada, incapaz de nos causar gozo, indignação, terror ou piedade, mas só bocejo. Witkin interdita o bocejo, mas deixa-nos na mesma pose, boquiabertos, carente de respostas que não a imediata repulsa combinada com atração (de que Aristóteles trata em sua Poética). Impossível passar incólume.&lt;br /&gt;As fotos de Witkin investigam os limites da representação e transbordam de discussões ético/poéticas.  Pode pesar sobre ele a acusação de gratuidade da violência, de banalização da vida humana (afinal, diz a lenda, ele efetivamente retalha os cadáveres e os dispõe para a fotografia), mas é a própria moral que define o que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;violência&lt;/span&gt;, o que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;banal&lt;/span&gt;, que está na berlinda. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Sem mais delongas, Witkins &lt;a href="http://zonezero.com/exposiciones/fotografos/witkin2/"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://zonezero.com/exposiciones/fotografos/witkin/jpwdefault.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-8659580859165357728?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/8659580859165357728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=8659580859165357728' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/8659580859165357728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/8659580859165357728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/03/limite-e-contundncia.html' title='Limite e contundência'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-2427346982142163216</id><published>2007-03-07T18:48:00.000-03:00</published><updated>2007-03-07T18:56:09.560-03:00</updated><title type='text'>Neandertal Digital</title><content type='html'>Vendo o trabalho do querido &lt;a href="http://www.myspace.com/claudinhobrasillive"&gt;Claudinho Brasil&lt;/a&gt; no myspace (aliás, on HIS space), inspirei-me e criei mais esta moda de viola, pretendendo, como ele, fazer confluir o eletrônico e o primitivo. Maestro Zezinho, cinco notas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Neandertal Digital&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formatado hominídeo,&lt;br /&gt;Deletado como um índio,&lt;br /&gt;Homo tech sapiens ancestral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu tacape é de silício,&lt;br /&gt;Virtual desde o início,&lt;br /&gt;Eletrônico habitat natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre byte no meu sangue,&lt;br /&gt;Parabólica no mangue,&lt;br /&gt;Meta-holografia ritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Australopithecus andróide,&lt;br /&gt;Maracatu no meu I-Pod&lt;br /&gt;Eletro-funk-sambo-carnaval&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mando e-mail de fumaça,&lt;br /&gt;Conectando a cyber-raça&lt;br /&gt;Sou um Neandertal digital&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-2427346982142163216?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/2427346982142163216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=2427346982142163216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2427346982142163216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/2427346982142163216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/03/neandertal-digital.html' title='Neandertal Digital'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116957434933510660</id><published>2007-01-23T15:44:00.000-02:00</published><updated>2007-01-23T15:45:49.346-02:00</updated><title type='text'>Especialização da Mão-de-obra</title><content type='html'>- Tio, dá um trocado?&lt;br /&gt;- Ué? Não vai fazer nem um malabarismozinho...?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116957434933510660?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116957434933510660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116957434933510660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116957434933510660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116957434933510660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/01/especializao-da-mo-de-obra.html' title='Especialização da Mão-de-obra'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116918157441564675</id><published>2007-01-19T02:37:00.000-02:00</published><updated>2007-01-19T02:40:44.416-02:00</updated><title type='text'>Fotografias 6</title><content type='html'>Uma placa, daquelas hexagonais, de "PARE".&lt;br /&gt;Um pichador descobriu a tonalidade exata do vermelho, e sobrepôs o "P" e o "E".&lt;br /&gt;A placa, ecologicamente correta, prosseguiu pedindo: "AR".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116918157441564675?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116918157441564675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116918157441564675' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116918157441564675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116918157441564675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/01/fotografias-6.html' title='Fotografias 6'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116883655059390731</id><published>2007-01-15T02:43:00.000-02:00</published><updated>2007-01-16T03:13:44.263-02:00</updated><title type='text'>1984</title><content type='html'>Temporada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Big Brother&lt;/span&gt; é sempre uma coisa que me inspira. Me dá vontade de escrever a respeito.&lt;br /&gt;Por exemplo, tive uma idéia para um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Reality Show&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Funciona assim: várias pessoas pessoas trancadas numa casa, 24h por dia. E elas só podem assistir &lt;span style="font-style: italic;"&gt;realities show&lt;/span&gt; o tempo inteiro. Até o último desistir.&lt;br /&gt;Uma segunda versão do mesmo programa seria a mesma coisa, só que ao invés da casa, vale o país inteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116883655059390731?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116883655059390731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116883655059390731' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116883655059390731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116883655059390731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2007/01/1984.html' title='1984'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116709058869005782</id><published>2006-12-25T21:48:00.000-02:00</published><updated>2006-12-25T21:49:48.756-02:00</updated><title type='text'>Breve koan de natal</title><content type='html'>Todos estamos sempre presos em algum aeroporto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116709058869005782?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116709058869005782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116709058869005782' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116709058869005782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116709058869005782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/12/breve-koan-de-natal.html' title='Breve koan de natal'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116596680384616131</id><published>2006-12-12T21:36:00.000-02:00</published><updated>2006-12-12T21:40:03.856-02:00</updated><title type='text'>Fotografias 5</title><content type='html'>O Rio de Janeiro é mesmo uma cidade ímpar.&lt;br /&gt;Uma pedinte levando encrustrado em seu cabelo pixaim um pente plástico verde-limão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116596680384616131?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116596680384616131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116596680384616131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116596680384616131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116596680384616131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/12/fotografias-5.html' title='Fotografias 5'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116485228759738590</id><published>2006-11-30T00:03:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T00:04:47.610-02:00</updated><title type='text'>Da série Conclusões Óbvias</title><content type='html'>Todo Buendía está condenado a Cem Anos de Solidão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116485228759738590?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116485228759738590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116485228759738590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116485228759738590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116485228759738590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/11/da-srie-concluses-bvias.html' title='Da série Conclusões Óbvias'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116310146515145294</id><published>2006-11-09T17:42:00.000-02:00</published><updated>2006-11-09T17:44:25.160-02:00</updated><title type='text'>Fotografias 4</title><content type='html'>Um mendigo com uns dread-locks muito longos ganhou uma sacolinha com uns 10 pães. Ele os dispôs em círculo na calçada e ficou petrificado, olhando para aquela instalação durante minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116310146515145294?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116310146515145294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116310146515145294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116310146515145294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116310146515145294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/11/fotografias-4.html' title='Fotografias 4'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116293528090313233</id><published>2006-11-07T18:50:00.000-02:00</published><updated>2006-11-07T19:39:05.116-02:00</updated><title type='text'>Sapatinho na Janela</title><content type='html'>Caro Papai Noel,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano te escrevo com bastante antecedência, pra você preparar o décimo-terceiro e o limite do cartão de crédito. Os meus já estão comprometidos.&lt;br /&gt;Me comportei muito bem neste ano, Papai Noel. Fiz o que tinha que ser feito, reclamei menos da vida do que de costume, escovei os dentes todos os dias antes de dormir.&lt;br /&gt;Claro que eu pretendia fazer mais e me culpo por não ter feito, mas disso tratarei em uma outra carta, pro titio Freud.&lt;br /&gt;Estou feliz. Algo confuso, como sempre (lembrar de escrever isso também pro titio), mas feliz.&lt;br /&gt;Ok, hora dos pedidos.&lt;br /&gt;Talvez antes valha à pena dizer porque recorri ao senhor (uma fantasia do fetiche da mercadoria de que fala São Marx) pela primeira vez em 26 anos.&lt;br /&gt;É que esta coisa chamada doutorado exige uma biblioteca atualizada, e na última vez que passei numa banca de livros o livreiro me roubou quase 400 reais, ainda que tenha entregado alguns volumes em contrapartida. Bem, vês que estou desprovido.&lt;br /&gt;Ainda assim tem títulos imprescindíveis para a minha estante, e que gostaria de que vossa senhoria deixasse sob minha árvore no dia 25.12 (pode ser no dia 24.11, te contei do meu aniversário?). Bem, são eles, em ordem de prioridade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Multidão - Antonio Negri e Michel Hardt&lt;br /&gt;Cercas e Janelas - Naomi Klein&lt;br /&gt;Guy Debord - Anselm Jappe&lt;br /&gt;Passagens - Walter Benjamin&lt;br /&gt;Poemas 1913-1956 - Bertold Brecht&lt;br /&gt;Cuba por Korda - Alberto Korda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papai Noel, no momento deixarei apenas esta singela listinha, sem a qual não dá mais pra continuar vivo. Claro, o senhor pode imaginar, ela é bem maior do que esses míseros volumes, prometo aumentá-la conforme se aproxime o Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, veja o senhor que eu não pedi cds, roupas ou dinheiro. Só mais uma prova de que sou bonzinho mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu odeio quando me mandam textos que eu não pedi pra ler, na maioria das vezes não leio mesmo, principalmente se for spam. Por isso, evito recomendar textos da web para outros, mas tenho que abrir uma exceção. É do blog que o &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=1805"&gt;Caetano Galindo&lt;/a&gt;, meu (excelente) ex-professor mantém no site Cronópios. Chama-se "Ética para Beatriz", e é uma carta para a filha dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116293528090313233?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116293528090313233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116293528090313233' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116293528090313233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116293528090313233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/11/sapatinho-na-janela.html' title='Sapatinho na Janela'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116214835284407670</id><published>2006-10-29T15:57:00.000-03:00</published><updated>2006-10-29T15:59:12.856-03:00</updated><title type='text'>A fidelidade e os pés</title><content type='html'>Uma das várias graves lacunas no meu onívoro mundo das letras é o fato de eu nunca ter me debruçado sobre a obra de Charles Darwin. O cara tá, junto com inúmeros outros, na fila dos "um dia eu leio". Tadinho.&lt;br /&gt;Tenho por ele uma admiração de longe, superficial, motivada pela responsabilidade que ele teve na revolução da história das idéias na virada do XIX pro XX (junto com Freud, Einstein e, antes, Marx). Por outro lado, me arrepiam as transcrições de seus postulados para as análises sociológicas, coisa que pode facilmente descambar em novos episódios de nazismo.&lt;br /&gt;Contudo, falta-me estofo e me sobra elocubração descompromissada pra falar sobre teoria da evolução. Por isso, este breve texto não deve ser levado a sério (como se alguém levasse a sério o que eu escrevo aqui). Continue por sua conta e risco.&lt;br /&gt;Pois bem, fato é que, no banheiro, onde a humanidade tem as melhores de suas idéias, lia eu um artigo da recém-lançada (e ruim, por sinal) revista Piauí. Ele falava sobre a descoberta, na Etiópia, de um fóssil de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Australopithecus afarensis&lt;/span&gt; a quem deram o nome de Salem. Era uma menina (ou um filhote?) de três anos, que viveu 150 mil anos antes do que Lucy, a famosa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Australopithecus afarensis&lt;/span&gt; encontrada em 1974 e batizada a partir da canção dos Beatles.&lt;br /&gt;A novidade de Salem é a qualidade da conservação dos seus vestígios, em especial, dos ossos da face. "Os paleontólogos costumam montar quebra-cabeças com cacos desencontrados. Salem veio pronta". (p. 06)&lt;br /&gt;Enfim, o que me chamou a atenção na reportagem foi uma reflexão sobre a anatomia dos pés e seu papel na evolução das espécies. Ao contrário dos macacos, os pés da família dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Australopithecus&lt;/span&gt; não tinham artelhos prêenseis, isto é, não serviam para agarrar. Foram os primeiros hominídeos equipados para andar eretos. Isto fazia com que os filhotes dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Australopithecus&lt;/span&gt;, como Salem, não conseguissem se agarrar aos pêlos das costas de suas mães, que tinham que os carregar no colo. Com os braços ocupados, diminuía a capacidade das fêmeas de se defender e de defender as suas crias dos predadores. Quem sobreviveu? Aquelas que arranjaram parceiros com vocação para a monogamia, que se ocupavam da tarefa de defesa (e de provisão de alimentos) da cria e da mãe. As outras, que se envolviam com cafajestes, irresponsáveis e quetais, viravam papinha de Tigre Dente-de-Sabre.&lt;br /&gt;Olhando em perspectiva a conclusão parece machista e moralista (lembremos que os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Australopithecus&lt;/span&gt; ainda não tinham passado pela revolução sexual). No entanto, está aí uma possível relação entre fidelidade e formato dos pés, à qual prometo ficar mais atento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116214835284407670?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116214835284407670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116214835284407670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116214835284407670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116214835284407670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/10/fidelidade-e-os-ps_29.html' title='A fidelidade e os pés'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-116062468119980956</id><published>2006-10-12T00:42:00.000-03:00</published><updated>2006-11-07T18:25:11.066-02:00</updated><title type='text'>Tarcisião no meu sonho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma mesa, um jogo, não sei qual. Cartas, provalvelmente. À minha direita, ele, bem mais novo do que hoje, cara de “Um Certo Capitão Rodrigo”. Os outros jogadores não importam, não tem rosto, não vou falar deles. De pé, ao meu lado, assistindo ao jogo, muda, Maria Manoella. Falo muito, alguma retórica irônica. Todos riem e as rodadas do jogo se sucedem. Tarcísio Meira aproveita que todos estão rindo de alguma besteira que eu disse e aplica um ligeiro truque no jogo. Eu percebo e o denuncio. “Eu não jogo assim”, digo. Ele, furioso, levanta da cadeira pronto pra me bater. Eu levanto também, “Bate”, digo, e continuo com algum discurso sobre como a violência física é ridícula, mas eu sempre ofereço a face, “Bate”. Ele fala, “Não, não vou te dar um soco”. E mostra uma arma. Não sei se é uma faca ou se é um revólver. Sei que eu vou morrer se ele quiser. Maria Manoella me pergunta, “Quer que eu ajude?”, e começa a fazer um sensual strip tease para distrair a atenção de Tarcísio Meira. Eu continuo condenando a violência como solução para qualquer coisa. Não sei se ele me matou ou não. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-116062468119980956?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/116062468119980956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=116062468119980956' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116062468119980956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/116062468119980956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/10/tarcisio-no-meu-sonho.html' title='Tarcisião no meu sonho'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115982684845711418</id><published>2006-10-02T19:06:00.000-03:00</published><updated>2006-10-09T10:29:40.513-03:00</updated><title type='text'>"Filme, Você Está Sendo Sorrido"</title><content type='html'>Por esta e por outras infâmias equivalentes, tem amigo meu querendo que eu vire publicitário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115982684845711418?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115982684845711418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115982684845711418' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115982684845711418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115982684845711418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/10/filme-voc-est-sendo-sorrido.html' title='&quot;Filme, Você Está Sendo Sorrido&quot;'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115949263887330849</id><published>2006-09-28T22:15:00.000-03:00</published><updated>2006-09-29T20:19:45.943-03:00</updated><title type='text'>Meta-Promoções</title><content type='html'>Hoje, no mercado, recebi um cupom que me dava direito a concorrer a um cupom pra participar de uma promoção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115949263887330849?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115949263887330849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115949263887330849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115949263887330849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115949263887330849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/09/meta-promoes.html' title='Meta-Promoções'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115922932808223423</id><published>2006-09-25T21:04:00.000-03:00</published><updated>2006-09-26T23:21:48.116-03:00</updated><title type='text'>Da Importância das Coisas Pequenas</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Assemelhemos, por diversão ou por filosofia vã, o nosso sistema solar a um átomo. A estrela seria o núcleo positivo, ao redor do qual os planetas girariam feito elétrons gigantescos. Esse átomo, associado a outros, formaria uma molécula, a molécula-láctea. Tal molécula, unida com outras de mesma ordem, edificaria uma porção de matéria próxima ao que entendemos por célula. A célula (viva, pulsante, imensa), por sua vez, estaria dentro de um tecido, de um órgão e de um organismo. Suponhamos que esse organismo fosse racional e participante de uma estrutura populacional convencionalmente chamada de sociedade. Em cada ser dessa sociedade, mais órgãos, tecidos, células, moléculas e átomos formados a partir do mesmo princípio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Quem somos nós para esses seres? O que é o museu do Louvre, a Carla Perez, a invasão do Iraque, a reeleição do Lula? Quem são os Beatles, o Ariano Suassuna, o Diogo Mainardi? Quanto eles estariam preocupados com a bomba atômica da Coréia do Norte? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O que é o tempo? Se lembrarmos que os movimentos atômicos têm velocidade comparável à da luz, o que é um século? Somos um átomo cujo referencial de translação dos elétrons é anual, logo as coisas nesta sociedade seriam infinitamente mais lentas. O que para nós é uma eternidade, para eles é imediato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Façamos agora o caminho inverso. Pensemos em nossos próprios átomos como sistemas estelares com planetas infestados de vida inteligente. Para essa Liliput, o que somos nós senão a razão fundamental da sua existência? Quem são esses serezinhos para nós? O que comem, quando vão dormir, trepam ou não? Só o teclado onde escrevo já abriga inúmeros planetas e, meu Deus, a cada letra escrita, vários deles são esmagados pelos meus dedos. Toda a civilização desses pequeninos, seu sistema de crenças, sua arquitetura, seus cotidianos, dilacerados três vezes a cada vez que se pontuam as reticências... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Tempo, de novo. Nossos elétrons são inconcebivelmente velozes, velocidade essa absolutamente lenta para os serezinhos. Que diremos da velocidade dos elétrons que compõem os organismos desses mesmos serezinhos? O que pra nós é imediato, para eles é milenar. Eles sempre existiram, uma vez que cabem em qualquer fragmento de tempo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Big Bang.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115922932808223423?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115922932808223423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115922932808223423' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115922932808223423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115922932808223423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/09/da-importncia-das-coisas-pequenas.html' title='Da Importância das Coisas Pequenas'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115897819253091838</id><published>2006-09-22T22:59:00.000-03:00</published><updated>2006-09-29T11:05:43.203-03:00</updated><title type='text'>E se for?</title><content type='html'>Quando eu cursava jornalismo na UFPR, em maio de 2000, tive a oportunidade de participar de uma entrevista coletiva com Inri Cristo, que foi, com séquito, até a sede do nosso curso. A entrevista foi uma experiência antropológica interessantíssima. Reproduzo aqui a matéria que escrevi na ocasião. (Nos foi pedido que entregássemos um texto sobre a coletiva. Eu enviei esse. O título era o mesmo deste post, "E se for?")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;O Artista da Fome&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;, de Franz Kafka, é uma novela que discorre sobre a vida de um jejuador profissional; um homem cujo objetivo máximo é atingir o limite humano: ficar sem comer até que o organismo demande alimentação. A luta do homem contra si mesmo. Sobre ele, sem que pedisse, cai a curiosidade do público, fiscalizando o cumprimento da sua meta. Põem-no num circo, numa jaula, armam o espetáculo. Sensacionaliza-se a façanha do artista da fome, sua luta é transformada em zoológico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Inri Cristo nada tem de artista da fome. Seu discurso é outro, seu meio é outro, seu objetivo é outro. O que faz com que &lt;i style=""&gt;O Artista da Fome &lt;/i&gt;sirva de intróito a uma crônica sobre Inri Cristo é a capacidade que o personagem de Kafka e o auto-proclamado &lt;i style=""&gt;Filho do Homem&lt;/i&gt; têm de gerar em torno de si um complexo fenômeno zoológico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Foi o que vi na Quarta-feira, 17/05, as 10h da manhã no nosso estimado andar no prédio-símbolo de Curitiba. Uma multidão de alunos, dentre os quais este que vos escreve, ávidos pela chegada do ser que lhes ofereceria substrato para matérias jornalísticas e, mais do que isso, entretenimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Inri é um bom exercício de entrevista para qualquer aspirante a jornalista. Explico: para que um homem diga que é a reencarnação de Jesus é preciso que ele gere em torno de si um aparato mitológico sólido e verossímil. No entanto, ficam faltando prerrogativas básicas, como o cumprimento &lt;i style=""&gt;ipsis literis&lt;/i&gt; das escrituras sagradas. Inri Cristo é um imã de contradições. Com algum conhecimento bíblico (peco por não tê-lo) qualquer estudante podia armar uma arapuca para o entrevistado. Afinal, jornalismo não é isso? Ficar armando arapucas para o entrevistado até que ele escorregue e esburaque o seu discurso? Não é isso o que chamamos de notícia? Não ficamos unicamente atrás dos &lt;i style=""&gt;homens que mordem os cachorros&lt;/i&gt;?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;O mérito do entrevistado é sua retórica saponácea. Inri tinha as respostas às perguntas mais freqüentes na agulha de sua metralhadora verborrágica. Para isso, ora se apoiava na Bíblia, ora dizia que o livro deveria ser questionado. E, nós, entrevistadores, bolando perguntas que conduzissem Inri ao beco sem saída da impossibilidade de resposta. O que queríamos? Que Inri, no meio da coletiva, furioso, bradasse: “Tá bom, tá bom, vocês conseguiram, eu não sou o tal”? Pena de nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Esse tipo de questionamento: o relacionamento entre nós, os entrevistadores, e Inri, o entrevistado, me interessou muito mais do que o discurso Dele. Tive, no meio da entrevista, uma recordação de outra encarnação minha, de quando eu era escriba em Jerusalém e cobria uma coletiva com Jesus Cristo para o &lt;i style=""&gt;Galiléia’s Times&lt;/i&gt;. A postura de povo sádico, apedrejador, não teve a mínima alteração nos últimos dois mil anos. E continuamos clamando por Barrabás. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Ter participado da entrevista me foi uma experiência interessante. Ateu, graças a Deus, que sou, até li a Bíblia para encontrar algumas citações bacanas de transcrever neste texto. Diverti-me muito, em verdade vos digo. Até quase explodi em risos quando Inri, prestes a iniciar a entrevista, conversou com seu Pai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Essa ocularidade macrométrica sobre o assunto em questão, a artificialidade da pregação, o &lt;i style=""&gt;Jesus Superstar&lt;/i&gt; (com página na Internet, filipetas coloridas e nova igreja, não bastava a católica), o sensacionalismo zoológico que nós mesmos criamos e que nos afasta de qualquer possibilidade de imparcialidade, me fez crer que tudo isso é sintoma de alguma coisa maior. Não me interessa especular sobre a sanidade de Inri Cristo, se ele realmente acredita no que diz ou se ele é realmente a reencarnação de Jesus. O que me interessa são as condições sociológicas necessárias para que um fenômeno social como Inri Cristo possa acontecer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Qual é o papel que a religião desempenha nas nossas vidas urbanas consumistas massificadas &lt;i style=""&gt;time is money&lt;/i&gt; contemporâneas? O Natal e a Páscoa são mais Papai Noel e Coelhinho do que Jesus Cristo, por exemplo. O ponto é que a crença em Inri é tão absurda quanto a crença em Jesus. Nós precisamos de um Messias. Precisamos de uma idolatria religiosa porque precisamos de alguém para transferirmos nossas culpas, pedindo-lhe perdão. Somos incapazes de andar com nossas pernas, talvez por sermos ocidentais demais. Precisamos da verdade que este nosso paradigma de religiosidade nos oferece. Isso estrutura todo o nosso padrão de vida. Dita o certo e o errado. Somos limitados e obstinados por essa estrutura canônica de pensamento. Por isso Inri pode surgir. Porque acreditamos numa verdade única, indivisível. “Eu sou o único caminho a meu pai”, vocifera o colérico Inri. Só há um detalhe que impede seu entronamento. Fomos educados a respeitar e a adorar esta esfera espiritual destacada de materialidade. Porque, materialmente, somos nós e não Deus, Jesus ou Inri, quem importa. Se estivéssemos no meio de um assalto a banco, como vítimas, e Deus fosse uma pessoa, de carne e osso, e estivesse sendo retido como refém, ofereceríamo-nos para ficar em seu lugar? Se, a caminho do fuzilamento nos propusessem: “Morre você ou morre Inri Cristo?”, alguém duvida da resposta? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: georgia; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Inri é um retrato do nosso tempo. Charlatanismo e revisão religiosa na mesma pessoa. Mistura de Carla Perez e de Padre Marcelo Rossi. Fenômeno sub-midiático. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: georgia;"&gt;Mas o mais engraçado seria se tivéssemos posto um espelho atrás de Inri para vermos nossas próprias faces enquanto apedrejávamo-lo. Destruíamos a nós mesmos, tolos mortais. Inri poderia estar se rindo triunfante (“Pai, perdoai-os eles não sabem o que fazem”). Nunca saberemos. Fato é que escancaramos nossa necessidade de crucificar alguém, como bons fariseus que somos. E pegamos Inri para Cristo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115897819253091838?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115897819253091838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115897819253091838' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115897819253091838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115897819253091838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/09/e-se-for.html' title='E se for?'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115881377406762731</id><published>2006-09-21T01:36:00.000-03:00</published><updated>2006-09-21T01:42:54.080-03:00</updated><title type='text'>A mãe de Ofélia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Hamlet sempre me cheirou a conspiração. Uma, óbvia, icônica, é a de Cláudio matando seu irmão para ficar com o trono e/ou com a rainha. &lt;i style=""&gt;Gertrudes&lt;/i&gt;, monólogo que escrevi em 2000 e que foi levado à cena por Luciano Lacerda e, depois, por Adriano Esturilho, sob o título &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gertrudes de Cuecas&lt;/span&gt;, é um texto no qual a conspiradora é a rainha, faminta de poder, conspirando contra todos para tê-lo. Desta forma, faz com que Cláudio mate Hamlet-pai, ela própria mata Ofélia e simula um suicídio, etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Tenho pensado em novas conspirações dentro da obra, à la &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos&lt;/span&gt;, de Tom Stoppard. Esses dias me perguntei: quem é a mãe de Ofélia? Há duas leituras básicas. A primeira é a de que Ofélia seja filha de Gertrudes, e que a moça fique louca ao descobrir que fornicou com o irmão. Isso explicaria, por exemplo o receio de Polônio em relação ao relacionamento dos dois jovens. Hamlet poderia saber ou não da verdade. Se não, romance trágico no qual os dois apaixonados descobrem que são filhos da mesma mãe, e morrem, suicidas, nos braços um do outro. Se sim, Hamlet ganha uma transposição arquetípica: de mocinho indeciso passa a vilão incestuoso e maquiavélico. O arquétipo de Gertrudes é reforçado como “a adúltera”; afinal de contas ela teria dado para três dos principais personagens da peça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Leitura dois: a mãe de Ofélia (e de Laetes) é um personagem extra, que não nos é mostrado. Poderíamos reforçar as características deste novo personagem e aumentar sua importância; afirmar que os acontecimentos sombrios na Dinamarca são decorrência de uma eminente chegada da mãe de Ofélia. Assim como Godot, a mãe de Ofélia é aquela que não chega, e que todos os personagens esperam. Cada um podia ter um temor sobre a possível chegada: Gertrudes compartilhou&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um segredo que não sabe se continua guardado; Horácio teme que ela revele sua verdadeira identidade; Polônio deve-lhe dinheiro; Cláudio teme que seu caso com ela venha a público; Hamlet espera seus dotes de paranormal, para certificar-se da veracidade do relato do fantasma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;A peça é justamente sobre a viagem da mãe de Ofélia a Elsinor e os porquês de sua demora. Ela estava na Alemanha desde a vitória de Hamlet-pai sobre o rei da Noruega. Recebe a notícia da morte de Hamlet-pai. Logo em seguida, o convite para o casamento de Gertrudes e Cláudio. Decide ir até a França para voltar à Dinamarca junto com o filho. Quando lá chega, o filho já voltara para a Dinamarca (na verdade, já estava até retornando à França, o que ela, obviamente, não sabia). No caminho para a Dinamarca ela encontra o exército do Fortimbrás indo para a Polônia, e descobre que os noruegueses invadirão o castelo dinamarquês. Decide avisar isso a Hamlet, pois não confiava em Cláudio. Recebe, então uma carta de Horácio dizendo que Polônio estava morto e que Hamlet estava exilado na Inglaterra. Entre ir para a Dinamarca ou para a Inglaterra, a mãe de Ofélia resolve ir para a Inglaterra. Chega à ilha instantes depois do enforcamento de Rosencrantz e Guildenstern, recebe a notícia da morte da filha e, não encontrando Hamlet, resolve pegar carona no navio dos embaixadores ingleses que vai comunicar ao rei da Dinamarca a execução das ordens. Quando chega à Dinamarca, a mãe de Ofélia está viúva, com o amante e os dois filhos mortos, o corpo de Laertes ainda quente. Mais tarde, casa-se com Horácio e é feliz para sempre.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115881377406762731?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115881377406762731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115881377406762731' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115881377406762731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115881377406762731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/09/me-de-oflia.html' title='A mãe de Ofélia'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115881258549321237</id><published>2006-09-21T01:16:00.000-03:00</published><updated>2006-09-21T01:25:20.546-03:00</updated><title type='text'>Da Importância da Agricultura Para a Publicidade</title><content type='html'>O meu arquivo-morto é uma fonte inesgotável de besteiras mais ou menos palatáveis. Esta foi escrita em julho de 2000, quando o Bin Laden era só um Mohamed qualquer.&lt;br /&gt;A única referência obscura é sobre o rede portuguesa de supermercados Sonae, que estava, na época, comprando todos os supermercados de Curitiba. Depois foi ela própria, se não me engano, fagocitada por uma rede maior do que ela. Coisas do mundo corporativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;font-size:100%;" &gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;É bem simples. Quando o homem comeu um fruto, cuspiu o caroço e mijou em cima, foi criada a agricultura. Com tal artefato, o homem pôde morar sossegado num só lugar, sem ficar andando feito nômade por aí. O problema foi quando começou a sobrar comida. Todo mundo já estava empanturrado e a produção agrícola continuava crescendo. Resolveram jogar tudo fora. Mas um homem teve a idéia de pegar para si o que estava no lixo e criou a propriedade privada. Daí ele começou a dizer que era mais poderoso porque tinha mais lixo, e era mesmo, decidiram. Daí todo mundo resolveu guardar lixo e o lixo acabou. Como nem todos tinham lixo suficiente, criaram as classes sociais. Quando tinha muito, muito, muito alimento sobrando pra uns e faltando pra outros, criaram o supermercado. Só que ninguém comprava nada, porque o supermercado não tinha estratégia de marketing. Criaram o curso de marketing, mas os alunos foram todos ser donos de supermercado pra depois poder vender o supermercado pra um grupo português, que tinha mais dinheiro. Daí inventaram a publicidade, pra fazer propaganda. Obviamente, a publicidade aumentou a venda de alimentos, dando mais dinheiro ao grupo português. É mais ou menos isso."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115881258549321237?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115881258549321237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115881258549321237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115881258549321237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115881258549321237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/09/da-importncia-da-agricultura-para.html' title='Da Importância da Agricultura Para a Publicidade'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115635059982728491</id><published>2006-08-23T13:14:00.001-03:00</published><updated>2006-08-27T15:54:10.693-03:00</updated><title type='text'>Diálogos Socráticos</title><content type='html'>ELA - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brasileira, 7 anos, solteira, torcedora do São Paulo Futebol Clube, aluna da primeira série do ensino fundamental de colégio Positivo Júnior (espécie de colégio positivista para adestramento da classe A curitibana)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;ELE - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gauche na vida, contador de histórias improvisado, com a firme convicção de que a humanidade progride através da dialética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diálogo se dá na portaria do referido colégio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELA - O gato é como um cachorro, só que mia.&lt;br /&gt;ELE - E o que será que aconteceria se um cachorro tivesse um filhote de um gato? Será que ia nascer um Gachorro?&lt;br /&gt;ELA - Não, porque o cachorro não gosta do gato.&lt;br /&gt;ELE - E por que não?&lt;br /&gt;ELA - Ora, porque o cachorro late, e o gato mia. É que nem os ladrões, que não gostam das pessoas, porque as pessoas não roubam e eles roubam.&lt;br /&gt;ELE - Mas os ladrões não são pessoas?&lt;br /&gt;ELA - (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;após breve reflexão&lt;/span&gt;) ... são. Mas são pessoas que roubam.&lt;br /&gt;ELE - E se os ladrões tivessem um pouco de dinheiro, eles também roubariam?&lt;br /&gt;ELA - (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;outra reflexão&lt;/span&gt;) ... sim, porque eles são maus.&lt;br /&gt;ELE - E se as pessoas que tivessem muito, muito dinheiro dessem um pouco desse dinheiro pros ladrões e combinassem que daí eles não podiam fazer maldade?&lt;br /&gt;ELA - (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mais uma&lt;/span&gt;) ... não ia dar certo, porque eles são maus e ia enganar. É que nem a música que a professora ensinou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Canta a música que a professora ensinou, que diz que os cachorros não gostam dos gatos e que os ladrões não gostam das pessoas. Cai o pano.&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115635059982728491?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115635059982728491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115635059982728491' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115635059982728491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115635059982728491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/dilogos-socrticos_23.html' title='Diálogos Socráticos'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115555573308255115</id><published>2006-08-14T08:32:00.000-03:00</published><updated>2006-08-14T08:42:13.093-03:00</updated><title type='text'>Campanha de Desevangelização</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Está lançada a campanha de  desevangelização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para ser estampada em camisetas, broches,  adesivos, pára-choques de caminhão, outdoors, enfim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tragam suas frases e façam crescer a  lista!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Atenção designers , se quiserem brincar junto, estejam à vontade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Frases recolhidas ao longo da vida. Podem  ter sido roubadas de um de vocês. Reclamações no Serviço de Antendimento ao  Consumidor)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Eu posso viver sem Jesus. E você? (ou a  versão "I can live without Jesus. And you?")&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Che morreu por você. (ou "Che died 4  u")&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Jesus te ama mas eu te acho um  bundão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- "Deus é luz. Deus é vida. Deus é alegria.  Agora no sabor limão." Henfil&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Deus é fiel. Já a mulher  dele...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Deus é fiel. Eu nem tanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Segura na mão Delleuze e vai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;- Só Jesus Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;- Só CTRL + S Salva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115555573308255115?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115555573308255115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115555573308255115' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115555573308255115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115555573308255115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/campanha-de-desevangelizao.html' title='Campanha de Desevangelização'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115555070888274973</id><published>2006-08-14T07:12:00.000-03:00</published><updated>2006-08-14T18:36:47.616-03:00</updated><title type='text'>Goya e o Maravilhoso Mundo da Reciclagem</title><content type='html'>O bom de ter bem guardada a sua "caixa de e-mails enviados" é que você acaba sempre achando alguma coisa inédita para preencher o seu blog. Eis aqui um texto que escrevi nos idos de setembro de 2003:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Por um Goya dançante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os irmãos Dinos e Jake Chapman chocaram a crítica e o público britânico  ao &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;expor seu recentemente arrematado conjunto de gravuras de Goya, os  Desastres &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de Guerra. As faces dos homens que sofreram as agruras da Guerra  Civil &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Espanhola, retratadas pelo artista espanhol, cediam lugar a caras  de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;palhaços, de animais e de piratas que os irmãos Chapman pintaram sobre  as &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;gravuras originais. Os Chapman provocaram o mercado tradicional de  artes &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;plásticas ao pedir por Desastres de Guerra um valor maior do que aquele  que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eles pagaram, já que a nova versão reuniria mais contribuição  artística.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A primeira questão, óbvia, é sobre a integridade de registro.  Assim como os&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;situacionistas do maio de 68, que picharam com palavras  subversivas os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;quadros clássicos expostos nos halls das universidades  parisienses, os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;irmãos Chapman interferiram num registro cultural de forma  definitiva. A&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;noção moderna de história está intimamente ligada ao registro.  E, se ao&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;invés das gravuras de Goya fossem modificadas ou recriadas as  pinturas&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rupestres das cavernas de Lascaux, uma das mais importantes  descobertas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;arqueológicas do mundo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É claro, as inscrições em Lascaux  dificilmente tiveram, por parte de seus &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ilustradores, a intenção de serem  lidas como arte, como lemos hoje as nossas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;obras. A suposição, retórica,  serve apenas para evidenciar como a discussão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobre a reconfiguração de obras  de arte obedece preceitos éticos. Os valores &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como genuinidade, autenticidade,  originalidade, citados por Benjamin como os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;elementos em rarefação que  conduzem a um xeque na "aura" da obra de arte do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;século XX, ainda são os que  conduziriam os moucos a bradar em favor de Goya. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E lamentar, por ele e pelo  "patrimônio cultural da humanidade", um suposto&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"crime" dos irmãos  Chapman. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por trás do ato (vândalo?) de Dinos e Jake, no entanto, paira uma  questão de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pano de fundo que talvez mesmo os mais conservadores defensores de  uma arte &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;com "A" maiúsculo se façam: de que vale um Goya se nem ao menos  podemos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pintar-lhe uns palhacinhos, se não podemos contaminá-lo com o nosso  mundo, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;se não podemos tirá-lo para dançar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115555070888274973?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115555070888274973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115555070888274973' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115555070888274973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115555070888274973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/goya-e-o-maravilhoso-mundo-da.html' title='Goya e o Maravilhoso Mundo da Reciclagem'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115539966439536698</id><published>2006-08-12T13:20:00.000-03:00</published><updated>2006-08-12T13:21:22.146-03:00</updated><title type='text'>mini-autobiografia semi-autorizada de fabio salvatti</title><content type='html'>na noite de 24 de novembro de 1980 nascia, na cidade de curitiba, um saudável e enorme bebê, com quase quatro quilos e meio. era o primogênito do casal silvia e antonio aldo salvatti, ela economista, descendente de poloneses; ele pedagogo e administrador, descendente de italianos. em função da divergência sobre o nome do rebento, decidiram acumular os nomes preferidos por cada um dos dois, e eis que estava batizado fabio guilherme salvatti, mais um bebê destinado a ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gauche&lt;/span&gt; na vida.&lt;br /&gt;prova de seu caráter contestador foram as palavras que primeiro proferiu. incitado a reproduzir "mamãe", exclamou, sem titubear, "papai". mais tarde, quando pediam que dissesse "banana", fazia pouco caso e tartamudeava "batata".&lt;br /&gt;esse caráter contestatório foi também marca da sua infância. era o dono da bola de futebol da rua, o que conferia certo poder nas decisões da assembléia do time local. quando qualquer pendenga era levantada contra sua vontade, não exitava em chutar a bola para dentro do pátio de sua residência e afirmar, despótico, "o jogo acabou".&lt;br /&gt;teve como característica de formação o estudo em um colégio ao mesmo tempo católico e de esquerda, afeiçoado à teologia da libertação de leonardo boff e outras modernices eclesiásticas. as modernices eram tantas que ao guri foi dado a ler o "manifesto do partido comunista", de karl marx e friedrich engels, na sexta série ginasial. desde então abandonou a idéia de deus, identificando-o como só mais uma das ferramentas usadas na luta de classes. opressivamente, esteja claro.&lt;br /&gt;na mesma época, nos idos de 1992, começava a relação por vezes tranqüila e por vezes conturbada do nosso herói com os espécimes do sexo oposto. isso lhe rendeu inúmeras venturas e desventuras, até o presente momento. "o saldo, no entanto, é positivo", afirmou fabio, o salvatti, em determinada ocasião, manifestando mais uma vez sua verve otimista de crença inabalável na humanidade e na progesterona. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb"," do período escolar talvez ainda seja mister lembrar que era um aluno de boas notas, o que lhe conferiu primeiros e segundos lugares nos testes simulados de vestibulares da intituição de ensino supra-citada. é preciso sublinhar também que esteve engajado nas instâncias políticas dos grêmios estudantis, o que somado com formação esquerdista, bem sabemos, é uma bomba-relógio.\n ainda que com futuro promissor (um futuro advogado ou médico, anseavam alguns, dentre eles mãe, pai, avó e tias), fabio reafirmou sua tendência &lt;font&gt;gauche&lt;/span&gt; ao optar pelos cursos universitários de jornalismo e artes cênicas - direção, cursados simultaneamente a partir de 1998.  enfiou profissionalmente o pé na jaca ao romper, três anos mais tarde, com o curso de jornalismo e dedicar-se tão somente à essa fugidia arte do aqui e agora teatral. \n&lt;br /&gt;de suas parcas realizações como artista, destacam-se os trabalhos levados à cena com a companhia emcômodo teatral, da qual  é/foi um dos diretores e membro fundador. é preciso que se mencione também a parceria, na qualidade de assistente de direção, com o diretor teatral fernando kinas, desde 2001 até hoje, quando já está sedimentada a kiwi companhia de teatro, da qual fabio é membro efetivo.\n&lt;br /&gt;para garantir o leite das criancinhas, no entanto, fabio apostou, não muito bem-sucedidamente, na carreira acadêmica. dedicou-se à pesquisa, e no período compreendido entre 2002 e 2004 conseguiu lograr êxito em obter o título de mestre pela universidade do estado de santa catarina. não satisfeito, migrou em 2005 para a mais populosa cidade de nosso país, onde agora cursa o doutorado em artes cênicas na universidade de são paulo.\n&lt;br /&gt;de riso fácil e humor infame, fabio não acumula grandes conquistas em seu curriculum, haja visto que ainda não possui carro próprio ou mesmo financiamento de imóvel. não é o que se pode chamar de bom partido, mas sempre ressalta a qualidade de seu estrogonofe de frango. tem ogeriza a lixas de unha, pimentão e pessoas que falam no gerúndio. admira, por outro lado, pessoas sagazes, velozes, lépidas e fagueiras. acredita que os blogs, o orkut e os reality shows são os principais formatos narrativos da nossa década, e, por isso, incentiva um exame mais criterioso destes. torce para o flamengo, mas não o suficiente pra cortar os pulsos. votou no lula, foi até a posse em 2003, em brasília, mas agora vai de heloísa helena. cultiva uma crescente pancinha que não retrocede, mas já prometeu em vários anos-novos que esta seria uma de suas prioridades de gestão. é 70% confiável, 70% legal e 70% sexy, segundo pesquisas do datafolha.\n",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;do período escolar talvez ainda seja mister lembrar que era um aluno de boas notas, o que lhe conferiu primeiros e segundos lugares nos testes simulados de vestibulares da intituição de ensino supra-citada. é preciso sublinhar também que esteve engajado nas instâncias políticas dos grêmios estudantis, o que somado com formação esquerdista, bem sabemos, é uma bomba-relógio.&lt;br /&gt;ainda que com futuro promissor (um futuro advogado ou médico, anseavam alguns, dentre eles mãe, pai, avó e tias), fabio reafirmou sua tendência &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gauche&lt;/span&gt; ao optar pelos cursos universitários de jornalismo e artes cênicas - direção, cursados simultaneamente a partir de 1998. enfiou profissionalmente o pé na jaca ao romper, três anos mais tarde, com o curso de jornalismo e dedicar-se tão somente à essa fugidia arte do aqui e agora teatral.&lt;br /&gt;para garantir o leite das criancinhas, no entanto, fabio apostou, não muito bem-sucedidamente, na carreira acadêmica. dedicou-se à pesquisa, e no período compreendido entre 2002 e 2004 conseguiu lograr êxito em obter o título de mestre pela universidade do estado de santa catarina. não satisfeito, migrou em 2005 para a mais populosa cidade de nosso país, onde agora cursa o doutorado em artes cênicas na universidade de são paulo.&lt;br /&gt;de riso fácil e humor infame, fabio não acumula grandes conquistas em seu curriculum, haja visto que ainda não possui carro próprio ou mesmo financiamento de imóvel. não é o que se pode chamar de bom partido, mas sempre ressalta a qualidade de seu estrogonofe de frango. tem ojeriza a lixas de unha, pimentão e pessoas que falam no gerúndio. admira, por outro lado, pessoas sagazes, velozes, lépidas e fagueiras. acredita que os blogs, o orkut e os reality shows são os principais formatos narrativos da nossa década, e, por isso, incentiva um exame mais criterioso destes. torce para o flamengo, mas não o suficiente pra cortar os pulsos. votou no lula, esteve na posse em 2003, em brasília, mas agora vai de heloísa helena. cultiva uma crescente pancinha, mas já prometeu em vários anos-novos que o retrocesso desta seria uma das prioridades de sua gestão. é 70% confiável, 70% legal e 70% sexy, segundo pesquisas do datafolha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115539966439536698?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115539966439536698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115539966439536698' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115539966439536698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115539966439536698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/mini-autobiografia-semi-autorizada-de.html' title='mini-autobiografia semi-autorizada de fabio salvatti'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115532896046589093</id><published>2006-08-11T17:01:00.000-03:00</published><updated>2006-08-11T22:21:42.856-03:00</updated><title type='text'>Algo de Estranho Está Errado</title><content type='html'>Cenas reais, retiradas de uma enfadonha tarde de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Diálogo 01:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Duas Operadoras de Telemarketing conversam num banco de ônibus na minha frente. Presume-se que uma delas trabalha com assinaturas de revistas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Operadora de Telemarketing A:  - Tem essa revista que é muito boa ("&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Men's Health" - entrega-a para Operadora de Telemarketing B, doravante OT B)&lt;/span&gt; tem a Contigo (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;entrega a "Contigo" também) &lt;/span&gt;e tem essa daqui, que eu não te empresto porque não li ainda (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;é a "Bravo")&lt;/span&gt;. Mas essa é sobre literatura, teatro, essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OT B:  - Ah, não, isso eu não gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Momentos mais tarde)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OT A: - E a Fulana fechou a assinatura da Veja com ele. Daí a Fulana perguntou se a esposa dele não gostaria de estar assinando a Cláudia, por apenas 5 X 10,90. Ele disse que a esposa dele estava ocupada, fazendo tarefas com o filho. E ela disse "Tudo bem." E desligou. Se fosse eu, já tinha dito "Olha senhor, é uma excelente oportunidade pro senhor estar fazendo uma surpresa pra sua esposa, as mulheres gostam disso. Vai chegar a revista na sua casa, ela vai pensar que é engano e vai ligar pro senhor. Daí o senhor pode estar revelando que era uma surpresa pra ela".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OT B: É um argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Diálogo 2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Um senhor de sessenta e poucos, conversa com um mais jovem num pequeno quiosque de fotocópias. O primeiro tem um sotaque de um país que não vou revelar, já que o país está em guerra contra um outro e não quero ser acusado de nazismo. Suponhamos que seu nome seja "Jacó".)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Seu Jacó: - Veja eu por exemplo. Eu conheço 75% do mundo que vale à pena conhecer. E digo isso porque o que eu vou fazer no Paquistão? No Afeganistão? Pra que eu vou lá? E vc acha que um homem com a minha cultura, com o meu conhecimento, vai se envolver com alguma ONG? Pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, as Operadoras de Telemarketing e o Seu Jacó sabem das coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115532896046589093?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115532896046589093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115532896046589093' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115532896046589093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115532896046589093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/algo-de-estranho-est-errado.html' title='Algo de Estranho Está Errado'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-115484077513820840</id><published>2006-08-06T01:45:00.000-03:00</published><updated>2006-08-06T02:56:11.446-03:00</updated><title type='text'>Quizás, Quizás, Quizás</title><content type='html'>Talvez eu tire poeira disso aqui. Talvez prometa a mim mesmo que escreverei com mais freqüência. Talvez, pra reinaugurar a bodega, eu cometa um plágio estilístico.&lt;br /&gt;E talvez eu faça isso por uma certa inveja das pessoas que cuidam dignamente de seus blogs. Talvez elas derramem melhor do que eu suas felicidades e seus ódios pela rede numa tentativa de expurgá-los (ainda que matar um blog seja uma boa alternativa para expurgar felicidades e ódios). Talvez eu sempre questione a relevância do que um blogueiro tem a dizer pro resto da humanidade, ou pra esse coletivo sem face chamado posteridade.&lt;br /&gt;Mas talvez essa seja a hora de voltar mesmo sem a certeza da relevância (e que chata seria nossa vida se ela fosse o tempo todo relevante). Talvez como quem volta bronzeado das férias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-115484077513820840?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/115484077513820840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=115484077513820840' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115484077513820840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/115484077513820840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2006/08/quizs-quizs-quizs.html' title='Quizás, Quizás, Quizás'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-113168313900459117</id><published>2005-11-11T02:20:00.000-02:00</published><updated>2005-11-11T02:25:39.023-02:00</updated><title type='text'>Canção pra você viver mais</title><content type='html'>Gostei da brincadeira de fazer letras de músicas. Tem duas que já comecei há algum tempo, uma chamada "Tom Cruise e Al Qaeda", um pagode, e outra chamada "Monica Lewinski, a canção", uma marchinha de carnaval.&lt;br /&gt;Esta é "Costume", uma fossa-nova para uma cinqüentona.&lt;br /&gt;É um, é dois, é um-dois-três-quatro...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Costume&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Trate de se acostumar comigo, querida&lt;br /&gt;Porque eu sou a ruga na sua cútis&lt;br /&gt;Eu sou o grisalho sob a tintura&lt;br /&gt;A dobra a mais na cintura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trate de se acostumar comigo, querida&lt;br /&gt;Porque eu sou seu diploma na gaveta&lt;br /&gt;Eu sou as meias de presente no natal&lt;br /&gt;A aliança do seu ex-casamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trate de se acostumar comigo, querida&lt;br /&gt;Porque eu sou a viagem que você não fez&lt;br /&gt;Eu sou o crediário vencido&lt;br /&gt;O porta-retrato vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trate de se acostumar comigo, querida&lt;br /&gt;Porque eu sou sua canção favorita&lt;br /&gt;Eu sou seu primeiro beijo molhado&lt;br /&gt;Seu futuro quando você tinha um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trate de se acostumar comigo, querida&lt;br /&gt;Que eu trato de me acostumar com você&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-113168313900459117?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/113168313900459117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=113168313900459117' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113168313900459117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113168313900459117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/11/cano-pra-voc-viver-mais.html' title='Canção pra você viver mais'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-113167782649120705</id><published>2005-11-11T00:54:00.000-02:00</published><updated>2005-11-11T00:57:06.506-02:00</updated><title type='text'>Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão</title><content type='html'>O motorista da van que eu peguei hoje é 100% Vascão (ou "Vaishcão") e 100% Jesus (ou "Jesuish"). Isso quer dizer, um cara legitimamente 200%.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-113167782649120705?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/113167782649120705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=113167782649120705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113167782649120705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113167782649120705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/11/dentro-de-mais-um-minuto-estaremos-no.html' title='Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-113150322442663681</id><published>2005-11-09T00:24:00.000-02:00</published><updated>2005-11-09T00:27:04.440-02:00</updated><title type='text'>Alter</title><content type='html'>Primeiro dia de aula do curso da Jeanne Marie Gagnebin no TUSP. Ela é suíça. Tem sotaque, mas português fluente. É menos velha do que eu achei que fosse. Cinqüentona. Ela estava impressionada, eu também, com o número de pessoas inscritas. Tinha umas oitenta pessoas sentadas na platéia. De toda sorte: psicanalistas, estudantes de filosofia, velhinhas à la Solar do Rosário, professores, etc. Gente entre 20 e 70 anos, bem misturado. &lt;br /&gt;Ela vai basear o curso dela na leitura do Benjamin sobre Baudelaire. Pelo menos isso: chega da “Obra de arte...”. Quatro textos na bibliografia do curso: “Sobre Baudelaire”, “Experiência e Pobreza”, “O Narrador” e as “Teses Sobre a História”. Esta primeira aula foi panorâmica, e começou muito bem. Adoro gente que tem tanto conhecimento quanto didática. Aula densa e, ao mesmo tempo, agradável, sem pedantismo ou enfastio.&lt;br /&gt;Ela começou dizendo que se o curso fosse na Alemanha ou na França, teria pouco mais do que meia dúzia de gatos pingados. Isso porque aqui no Brasil, de acordo com ela, houve uma fetichização do velho Walter. Isso tem a ver com a conotação positiva que atribuímos ao conceito de tradição. Para Jeanne, na Europa, sempre que se fala positivamente em tradição necessariamente se está relacionando ideologicamente com a direita (ao menos é o que pensa ela, da juventude de 68).&lt;br /&gt;A palavra que Benjamin usa para discutir tradição não é Tradition (perdoem o alemão do Paraguai), que tem raiz latina, como nossa palavra, mas Überliefernung, que significa transmissão ou transporte. Isso, sempre segundo Gagnebin, reforça a conotação materialista do uso do termo por Benjamin. Ou seja, a história é um processo material de transmissão de informações, e ele critica os historiadores que se reivindicam como “legítimos herdeiros” de uma tradição heróico-mítica (como exemplo, ela contrapôs a tradição platônica, glorificada posteriormente pela escola metafísica, em oposição aos pensadores sofistas, vilões da história e, por isso, marginais).&lt;br /&gt;A convencional “metáfora do rio” para a história oferece alguns perigos. O primeiro deles é o de querer voltar à fonte, buscar o ponto original a partir do qual jorra a história. O segundo deles é o de se deixar levar na corrente, sem se perguntar pelo interesse de quem esse rio corre. Como sabemos, Benjamin era um anjo tragado para o futuro aniquilador com os olhos voltados para o passado. Não era um apóstolo do progresso.&lt;br /&gt;Para Benjamin, uma escrita crítica da história deveria cuidar do contexto social de produção e divulgação da cultura. A pergunta fundamental é “Como contamos a história?”&lt;br /&gt;Ele responde essa pergunta não buscando minimizar os paradoxos, ou dissolvê-los. Pelo contrário, quando se debruça sobre Baudelaire, deixa patente suas contradições, seus paradoxos e oferece questões não resolvidas.&lt;br /&gt;Ela fez um relato interessante e recheado da biografia, as relações com Adorno, Brecht, Scholem, Ernst Bloch, Asja Lacis, marxismo, mística judaica, etc. Ao que tudo indica, aquele livro do Parini (A Travessia de Benjamin) é fiel (se é que se pode dizer isso do ponto de vista benjaminiano) ao acontecido. Ao menos coincide com a versão da Jeanne Marie.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Duas idéias para o “Suicídio em Port Bou”:&lt;br /&gt;Primeira:&lt;br /&gt;Com tantas contradições (marxismo-judaísmo, ficar em paris - ir pros states, asja – sua esposa, etc) nosso Walter é a versão frankfurtiana sem aura do Hamlet. É ou não é? Eis a questão.&lt;br /&gt;Segunda:&lt;br /&gt;Reza a lenda que na metade da década de 30 o reitor da USP (que na época era Faculdade Maria Antônia, onde é o curso) escreveu para o filósofo Auerbach pedindo a indicação de um professor de literatura alemã para a fundação da FFLCH. Auerbach indicou Walter Benjamin. Nunca se soube se ele escreveu a carta a Benjamin, se Benjamin a leu e se respondeu. Mas Walter podia ter vindo de Paris para dar aulas na USP (como Lévy-Strauss). Pândego, né?&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Pensei num curso-truque para dar sobre Benjamin. Na verdade, só pensei no cartaz, que é o que mais importa num curso-truque:&lt;br /&gt;Uma foto do rosto de uma top model, repetida três vezes lado-a-lado (reprodutibilidade técnica, sacô?) Sobre a cabeça da primeira, uma auréola. Sobre a segunda, a mesma auréola, mais fraca. Sobre a terceira, a mesma auréola, quase pontilhada, desaparecendo.&lt;br /&gt;O título, embaixo, em letras garrafais: A REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA E A PERDA DA AURA: BENJAMIN FOR DUMMIES.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-113150322442663681?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/113150322442663681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=113150322442663681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113150322442663681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113150322442663681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/11/alter.html' title='Alter'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-113098658124046664</id><published>2005-11-03T00:52:00.000-02:00</published><updated>2005-11-03T00:56:21.253-02:00</updated><title type='text'>This is not a love song</title><content type='html'>Fruto de uma aposta, ou melhor, de um desafio, escrevi minha primeira letra de música. Tomara que a primeira de várias.&lt;br /&gt;A responsável pelo desafio e pela música é minha amiga dadá Jezebel. Logo num iPod perto de você.&lt;br /&gt;Como vocês vão ver, é uma canção de desamor entre um milho e uma ervilha.&lt;br /&gt;Bora cantá!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Enlatados&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Deve ser por isso que te maltrato&lt;br /&gt;Por esse teu aroma que me invade&lt;br /&gt;Sempre que sorvo a tua umidade&lt;br /&gt;Ou se dividimos o mesmo prato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, arrependido de verdade&lt;br /&gt;Por te maltratar, quase me mato&lt;br /&gt;Como se arrependimento de olfato&lt;br /&gt;Matasse o que em mim é voracidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Conserva o vinagre, amiga&lt;br /&gt;Com o qual azedas tua vasilha.&lt;br /&gt;Que o teu cheiro acre não me siga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste trilho eu recuso a trilha&lt;br /&gt;Melhor seria voltar para a espiga&lt;br /&gt;Pois sou o milho e tu és a ervilha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-113098658124046664?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/113098658124046664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=113098658124046664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113098658124046664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/113098658124046664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/11/this-is-not-love-song.html' title='This is not a love song'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-112517126959293878</id><published>2005-08-27T16:12:00.000-03:00</published><updated>2005-08-27T16:34:29.596-03:00</updated><title type='text'>Dr. Jekill and Mr. Hyde ou o Feitiço de Áquila</title><content type='html'>As idéias (as minhas, ao menos) dividem-se em noturnas e diurnas.&lt;br /&gt;As diurnas, via de regra, são ponderadas, objetivas, eficientes.&lt;br /&gt;As noturnas, por outro lado, tendem a ser criativas, in-úteis (além da utilidade) e megalômanas.&lt;br /&gt;Lembro de que quando eu estava na sexta ou sétima série eu fazia planos mirabolantes para conquistar alguma menina da classe. Todos eles, obviamente, formulados pouco antes de dormir. Todos eles, também obviamente, frustrados pelas idéias diurnas do dia subseqüente.&lt;br /&gt;As idéias diurnas vão se deformando com o cair do sol. Estamos tão acostumados com essa deformação que nem percebemos ela acontecendo. Ainda assim, o ocaso é um período estranho do dia para as nossas idéias.&lt;br /&gt;As idéias noturnas, no entanto, não sofrem processo parecido. Ou melhor, poderiam sofrer, se tivéssemos o hábito de ver a aurora com freqüência. Como o evento é esporádico, a transição das idéias noturnas para as diurnas se dá quase sempre em ruptura, com o sono.&lt;br /&gt;O engraçado é quando esses registro passam de um pra outro de uma maneira não usual. Por exemplo, quando dormimos no meio da tarde e acordamos já de noite. Ou quando vamos ao cinema e, ao sair, já está escuro. Há um embaralhamento das idéias diurnas, acostumadas a uma transição lenta.&lt;br /&gt;Também quando passamos a noite em claro, e o mundo não parece fazer sentido pela manhã, porque as idéias noturnas que atacam nossa cabeça não combinam com as pessoas na rua caminhando para seus trabalhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-112517126959293878?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/112517126959293878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=112517126959293878' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112517126959293878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112517126959293878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/08/dr-jekill-and-mr-hyde-ou-o-feitio-de.html' title='Dr. Jekill and Mr. Hyde ou o Feitiço de Áquila'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-112477264451051134</id><published>2005-08-23T01:43:00.000-03:00</published><updated>2005-08-23T01:50:44.516-03:00</updated><title type='text'>Fotografias 3</title><content type='html'>Um cartaz na Cardeal Arcoverde:&lt;br /&gt;Vende-se Cama Hospilar Completa + Máquina de Moer Carne.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-112477264451051134?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/112477264451051134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=112477264451051134' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112477264451051134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112477264451051134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/08/fotografias-3.html' title='Fotografias 3'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-112383421857718863</id><published>2005-08-12T05:06:00.000-03:00</published><updated>2005-08-12T05:10:18.583-03:00</updated><title type='text'>Fotografias 2</title><content type='html'>Um mendigo, vasculhando um saco de lixo, acha um desodorante feminino. Abre, testa. Ainda tem conteúdo. Ele espirra o líquido por todo o corpo, impressionado com o perfume. Só para quando o desodorante acaba.&lt;br /&gt;Um jornal de empregos oferece emprego de secretária. Na capa do jornal, a foto da Fernanda Karina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-112383421857718863?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/112383421857718863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=112383421857718863' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112383421857718863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112383421857718863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/08/fotografias-2.html' title='Fotografias 2'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-112317897840964306</id><published>2005-08-04T15:08:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T15:09:38.416-03:00</updated><title type='text'>Fotografias</title><content type='html'>Um gato dormindo entre dois espelhos, postos um em frente ao outro.&lt;br /&gt;Um cara tomando Coca-Cola, vestindo uma camiseta com o Ronald McDonald enforcado.&lt;br /&gt;Eu fotografo tudo com um sorriso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-112317897840964306?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/112317897840964306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=112317897840964306' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112317897840964306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112317897840964306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/08/fotografias.html' title='Fotografias'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-112304948984712543</id><published>2005-08-03T03:10:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T03:11:29.853-03:00</updated><title type='text'>CFTV</title><content type='html'>Nos últimos dez anos cresceu exponencialmente a comercialização e instalação dos CFTV (circuitos fechados de tv). No princípio deste processo, pequenos avisos nos sugeriam que sorrísemos, já que estávamos sendo filmados. Talvez saturados dos nossos sorrisos, os atuais avisos não costumam mais sugerir tal ato simpático. Antes, alertam: “para sua segurança, este local está sendo filmado”. Preocupados com nossos sorrisos e nossa segurança, os CFTV foram responsáveis por povoar a nossa paisagem urbana contemporânea com câmeras, monitores e avisos (simpáticos ou não).&lt;br /&gt;        Quando se fala a respeito de vigilância, há uma equação de resolução complexa entre privacidade e segurança. Ao pulular o ecossistema com câmeras, reduz-se a privacidade em nome de uma suposta melhoria na qualidade da segurança. Ora, um dos estatutos da liberdade é o direito à privacidade (vale dizer, ao anonimato). Logo, a equação é, na verdade, entre liberdade e segurança. A questão implícita é “quanto de liberdade você está disposto a abrir mão para ter a sensação de segurança?”&lt;br /&gt;        Para haver uma “indústria da vigilância”, é necessário também haver uma “indústria da insegurança”. Parte dessa última está vinculada ao alto índice de criminalidade e, pior, à profissionalização da criminalidade. Outra parte, no entanto, está associada à paranóia midiática da espetacularização da violência e de suas formas políticas contemporâneas (dentre elas, o terrorismo). Para a “indústria da vigilância” pouco ou nada importa soluções sustentáveis contra a violência, como investimentos em saúde, educação e cultura. O único investimento digno é em tecnológia de vigilância. Antes o medo, se o medo vende.&lt;br /&gt;        Por isso, uma “normalização” das câmeras de vigilância no nosso cotidiano. Não há espanto algum quando se sabe que alguém está “monitorando” nossa compra no supermercado, nosso ambiente de trabalho ou nosso translado no elevador. Afinal, a preocupação é com a nossa segurança, não é? Basta sorrir e aproveitar a oportunidade de estar sendo filmado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-112304948984712543?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/112304948984712543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=112304948984712543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112304948984712543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112304948984712543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/08/cftv.html' title='CFTV'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-112131660973754847</id><published>2005-07-14T01:48:00.000-03:00</published><updated>2005-07-14T01:50:09.743-03:00</updated><title type='text'>Benjamin</title><content type='html'>"O crítico é estrategista na batalha da arte. Quem não é capaz de tomar partido tem de calar-se. Sempre a 'objetividede' tem de ser sacrificada ao espírito de partido, se é digna disso a causa em torno do qual se trava a batalha. A crítica é uma causa moral. Para o crítico são seus colegas a instância superior. Não o público. Menos ainda a posteridade. A posteridade esquece ou celebra. Só o crítico julga no rosto do autor. Polêmica significa aniquilar um livro em poucas de suas frases. Qaunto menos se o estuda, melhor. Só quem é capaz de aniquilar é capaz de criticar. A polêmica genuína põe um livro diante de si tão amorosamente quanto um canibal prepara para si um bebê". Esse cara é foda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-112131660973754847?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/112131660973754847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=112131660973754847' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112131660973754847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/112131660973754847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/07/benjamin.html' title='Benjamin'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-111880816078935563</id><published>2005-06-15T00:50:00.000-03:00</published><updated>2005-06-15T01:02:40.796-03:00</updated><title type='text'>Arquivo Morto, de novo</title><content type='html'>Acho que antigamente (isso é, há 4 anos) eu era um missivista mais criativo, ou acreditava mais na potencialidade do ciberespaço, ou deixava escorrer mais prosa pelo teclado. Fato é que, fazendo uma faxina no hd, descobri um mail interessante que mandei pra uma amiga em março de 2001, quando o mundo ainda tinha torres gêmeas. Reproduzo um trecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje fui buscar umas fotos que tiraram de mim para um book. Fiquei olhando para aquele ser, que sou eu. Pensei "é essa a imagem que me representa, este é o ícone/índice/símbolo do que sou." Pelo sentido da visão eu só posso perceber essa imagem de mim, e numa foto é muito mais aterrorizante do que num espelho. Porque num espelho há um ser animado que vc pode manipular, fazer com que ele levante o braço ou que faça uma careta. Na foto não. Ele está ali para sempre, suspenso. Pela primeira vez eu desvinculei minha imagem de mim. Eu não me senti representado por aquele cara nos negativos. Ele me pareceu um ser familiar, alguém com quem eu convivo, no máximo. Daí eu constatei que isso que eu chamo de "Eu" é só um vírus que habita um corpo, aquele da foto. O corpo tem alguém como recheio. Arnaldo Antunes estava certo. Agora entendo perfeitamente a estranheza que sentimos quando nos vemos numa gravação de áudio ou de vídeo. Porque aquilo que está na tela é só um signo. E nós somos o vírus que habita o signo.&lt;br /&gt;E não consiguimos assumir pra nós mesmos isso. Talvez por isso que precisemos emagrecer, malhar, cuidar da saúde ou usar maquiagem. Para perpetuar uma carcaça. Que não somos nós, mas que é nossa moradia.&lt;br /&gt;Daí eu passei horas conversando com um amigo meu, chamado Luciano Lacerda, responsável por duas teorias lindas. O "niilismo positivo" e o "salto lógico". O niilismo positivo é um beco-sem-saída filosófico, que começa numa simples questão Schoppenhauerianesca (desculpe a grafia, se for digna de desculpas): "Por que algo ao invés do nada?" Não é nem uma questão de tudo estar errado, ou das coisas estarem caminhando para um fim irremediável. O buraco é mais embaixo, é uma impossibilidade ideal de raciocínio, (mal) exemplificada numa pergunta de um professor nosso: "Vc prefere ser o Enéas Lour (um ator curitibano, com 30 anos de carreira e ainda restrito à clausura e à mesmice dessa cidade insossa e, pior, resignado com isso), você ou o pipoqueiro da esquina?" Não sei se fui claro. É claro que não. De qualquer forma, o niilismo positivo prega que, já que só o nada existe, que isso não cause angústia, mas diversão e produção. O "salto lógico" deriva um pouco disso. É aquela situação limítrofe, em que vc constata: "Meu Deus, mesmo que a esquerda ganhe uma eleição, o capital estrangeiro tem força suficiente para impedir qualquer avanço sócio-educacional no país, estamos à mercê das potências internacionais e não há saída..." O que fazer? Vc vai tomar um cafézinho. Diante de uma impossibilidade do discurso, baixamos o nosso patamar de percepção para poder continuar vivendo sem que enfiemos projéteis calibre .38 em nossas cabeças. O salto lógico é aquele "Foda-se" que sucede toda discussão "Primeiro a arte ou primeiro o sustento?"&lt;br /&gt;Mas como meu dia foi todo metalinguístico, eu fiquei cismando semioticamente sobre a construção de conceitos ou concepções. Sobre a palpabilidade das coisas. Por que verdade ao invés do nada?&lt;br /&gt;E, se a realidade for apenas um divertimento cerebral, uma compilações de impressões históricas, sensíveis, emocionais, criativas, gerenciadas pela máquina-cérebro? Se espaço tempo tato credo idéia paladar estética imagem som preconceito forem ilusões de entretenimento? Se real for só a constatação de que cérebros convivem, tentando impor suas impressões?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alguns breves cortes, para não expor fatos e/ou pessoas reais, e o mail continua, falando sobre Aids:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A nossa geração nunca se recuperará do trauma causado por essa doença. Nós fomos educados para nunca, em hipótese alguma, transar sem camisinha. Eu nunca defenderia o não-uso da camisinha, acho uma falta de propósito moral fazê-lo. No entanto, eu tive pouquíssimas experiências nas quais a mucosa da minha glande entrasse em contato com o muco vaginal alheio, e toda a febre decorrente de um coito que começasse lento, sutil, e evoluísse para uma tormenta de gemidos, gritos e (por que não?) uivos se espalhasse em líquido seminal e secreções num lençol de motel barato. Antes, acostumei-me a cortar a capa da camisinha e vestí-la sem que pudesse passar por qualquer vergonha de inabilidade, e com o mesmo afinco jogá-la fora com um nó, cheia dum líquido branco no qual poderia estar um de meus filhos, numa lata de lixo qualquer. O termo "levar um esporro" passou a denotar exclusivamente a bronca paterna. E toda essa mudança de contexto justamente na nossa fase de educação sexual! Daqui há dois anos descobrirão a cura pra AIDS e a pílula masculina entrará em escala comercial, e uma nova revolução sexual terá lugar, marcando uma nova geração. E nós, adolescentes dos anos 90, para sempre conhecidos como "a geração que usava camisinha". Traumatizados, por certo. Uma geração que é um prato cheio para psicólogos.&lt;br /&gt;Exemplo para encerrar o assunto. Uma amiga minha disse que estava tentando engravidar. Meu cérebro - "Tentando engravidar? Como assim? Engravidar é uma coisa que NÃO se quer fazer. É algo que temos que evitar. Para engravidar, não podemos usar camisinha. Estaremos correndo riscos. De engravidar, inclusive." Meu sistema (meu - Fabio Salvatti, 1,87m 77kg, QI 142, sapato 43, batizado católico, portador do RG X.xxx.xxx-x) não era capaz de decodificar aquilo.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-111880816078935563?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/111880816078935563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=111880816078935563' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/111880816078935563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/111880816078935563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/06/arquivo-morto-de-novo.html' title='Arquivo Morto, de novo'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-111086370335973455</id><published>2005-03-15T02:12:00.000-03:00</published><updated>2005-03-15T02:15:03.363-03:00</updated><title type='text'>A Falsa Suicida</title><content type='html'>A montagem original de "A Falsa Suicida", estreada em 7 de janeiro de 2000 em Madrid, é dedicada aos pornôs, aos sobreviventes e a ninguém mais. A catalã Angélica Liddell, 39, autora, diretora e protagonista da peça (ainda que assine a interpretação como Angélica Gonzales - o apelido é emprestado da Alice Liddell, que inspirou Lewis Carroll a escrever suas famosas obras) tem como um dos temas centrais de sua obra a pertinência da sobrevivência. Frente à amargura do mundo, para que sobreviver? Se as atuais estruturas da sociedade (família, estado, igreja, capital) não oferecem felicidade aos que a elas se submetem, porque essa submissão continua? As respostas de Liddell a essas indagações nem sempre são otimistas, e também nem sempre educadas.&lt;br /&gt;    "Aos sobreviventes, que algum dia também morrerão, e então não poderemos dedicar-lhes nada". "A Falsa Suicida" é a história de dois desses sobreviventes. Ela, uma mulher que após cair do quinto andar de um prédio, passa a dançar em uma cabine de peep-show. Ele, com as costas deformadas por ter salvado essa mulher que caía, mata gatos para sobreviver. Desde o início do diálogo, brincam de Hamlet. Ele diz: "Se você se chama Ofélia, passo a me chamar Horácio". Hamlet como fetiche.&lt;br /&gt;    A partir daí deriva um dos grandes temas da peça: o próprio teatro. Ofélia não é mais a virgem de olhos vezânicos, nem Horácio o coadjuvante do príncipe. Em cena, os dois estão realocados, reconfigurados, ressignificados, se preferirmos. E passam a discorrer sobre o estatuto que lhes confere existência de personagens. Assim, as falas da stripper Ofélia para o voyeur Horácio, afirmando que "os que pagam estão sempre às escuras. Andam a tatear, fintando as trevas, procurando alguma coisa que responda às suas questões. Alguma coisa que os encha de felicidade" é, sobretudo, a fala do Teatro (maiúsculo) para sua Audiência (maiúscula). Ao falar do "ver" e do "ser visto", Horácio e Ofélia estão falando do contrato entre artistas e espectadores que funda o teatro (que, etimologicamente, significa "lugar de onde se vê").&lt;br /&gt;    O voyeur e a stripper. O que vê e o que é visto. A penumbra e a luz. Esses binômios oferecem uma complexa relação de sujeito-objeto que não se resolve de maneira maniqueísta. Horácio ameaça: "Se eu não parasse de colocar moedas, te teria presa aí, e você seria minha escrava". Ofélia: "E eu ia te pedir mais do que você pode pagar, e o escravo seria você". Ele: "Escravos os dois". A relação entre os personagens passa por um jogo de pornográfico e pervertido de poder, de esconde-e-mostra. Beira o sado-masoquismo, sem explicitar qual dos dois cumpre qual papel. É um tema próximo ao que Bernard-Marie Koltès trabalhou em seu "Na Solidão dos Campos de Algodão". Assim como na peça de Koltès, os personagens de "A Falsa Suicida" transitam entre o predador e a presa, só que aqui eles são separados por uma cabine acrílica que pretende garantir a inviolabilidade de suas posições. Horácio exige de Ofélia seu passado: ele precisa saber o que a fez pular. Ofélia exige de Horácio a sua masturbação: ela precisa que alguém pense nela, que alguém seja os seus olhos. A metáfora da visão é providencial. Para que Horácio faça que Ofélia "veja", que abandone a cabine, que "incline o pescoço com o peso da realidade" é preciso que ele se revele, que exponha sua deformidade, vale dizer, que abandone a penumbra e entre na luz.&lt;br /&gt;      A reflexão sobre a alteridade está presente na fala de Ofélia: "a pior morte é a do outro". Pois claro, para o que morre, a morte é simples, objetiva. Os sobreviventes são os que choram, não o morto. Sobreviver é pior do que morrer. Mas na sobrevivência pode estar o encontro. O resto é silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-111086370335973455?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/111086370335973455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=111086370335973455' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/111086370335973455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/111086370335973455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/03/falsa-suicida.html' title='A Falsa Suicida'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-110991383147706421</id><published>2005-03-04T02:15:00.000-03:00</published><updated>2005-03-04T02:23:51.476-03:00</updated><title type='text'>Vísceras</title><content type='html'>Fazia tempo que não me exigiam as vísceras. Fazia tempo que as coisas eram serenas, seguras, planejadas. Fazia tempo que não me tiravam o chão. Tempo que o sangue não jorrava, que as coisas tinham cheiro de recém-lavadas, que os tons eram pastéis.&lt;br /&gt;Mas a arte não é o terreno do seguro. Da arte deve-se duvidar o tempo todo. Ser em crise.&lt;br /&gt;E, na crise, as vísceras devem ser expostas. Na crise não há burocracia. Na crise não é possível garantir sobrevida após o passo seguinte.&lt;br /&gt;Acho que a partir de hoje eu sou mais honesto comigo mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-110991383147706421?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/110991383147706421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=110991383147706421' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110991383147706421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110991383147706421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/03/vsceras.html' title='Vísceras'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-110981872062527661</id><published>2005-03-02T23:53:00.000-03:00</published><updated>2005-03-02T23:58:40.626-03:00</updated><title type='text'>Hotéis e Casas</title><content type='html'>Achei um e-mail antigo, enviado para uma querida amiga, no qual eu discorria sobre (mais) uma das minhas teorias. Reli, achei simpático, e cá está. Fico feliz de dizer que moro numa casa aconchegante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt;a paixão é um hotel e o amor é uma casa.&lt;br /&gt;na paixão tem vista para o mar, banheira de hidromassagem e café da manhã.&lt;br /&gt;no amor pode-se escolher qual pôster do Klimt será pendurado na parede.&lt;br /&gt;na paixão vive-se momentos intensos e inesquecíveis concentrados em um curto período de tempo.&lt;br /&gt;no amor vive-se dias parecidos uns com os outros, mas cada um com seu encantador charme particular.&lt;br /&gt;não pode-se construir uma paixão (a não ser que você seja do ramo hoteleiro).&lt;br /&gt;o amor se faz com um tijolinho após o outro.&lt;br /&gt;a paixão tem um excelente serviço de quarto.&lt;br /&gt;no amor você tem o &lt;em&gt;seu&lt;/em&gt; quarto (pode não ter frigobar, mas é seu).&lt;br /&gt;a paixão é provisória.&lt;br /&gt;o amor é infinito enquanto dure.&lt;br /&gt;ambos tem seu preço. a paixão, um preço exorbitante pelo tempo de acolhimento. o amor, aquela eterna parcela mensal.&lt;br /&gt;ambos são muito difíceis de esquecer. pode-se deixar suas cuecas (ou calcinhas) em ambos.&lt;br /&gt;e há aqueles que moram em flats.&lt;/strong&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um pouco aquelas mensagens anônimas de spam. Mas fui eu quem escrevi, creia ou não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-110981872062527661?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/110981872062527661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=110981872062527661' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110981872062527661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110981872062527661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/03/hotis-e-casas.html' title='Hotéis e Casas'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-110753968888638758</id><published>2005-02-04T15:49:00.000-02:00</published><updated>2005-02-04T16:05:06.706-02:00</updated><title type='text'>Consumo</title><content type='html'>Eu olhei e reconheci claramente a última chance de comprar as Obras Completas do Borges vol. I. OK, talvez essa tenha sido a minha desculpa interna pra gastar R$ 68 em épocas de poupança. Enfim, Borges é Borges, e a Biblioteca, para ser de Babel, merece algumas loucuras consumistas do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-110753968888638758?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/110753968888638758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=110753968888638758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110753968888638758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110753968888638758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/02/consumo.html' title='Consumo'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-110597441315528504</id><published>2005-01-17T13:05:00.000-02:00</published><updated>2005-01-17T13:06:53.156-02:00</updated><title type='text'>Da série "Micro-Contos achados no arquivo-morto"</title><content type='html'>... e olhou para trás um pouco antes do conto acabar. (18.03.03)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-110597441315528504?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/110597441315528504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=110597441315528504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110597441315528504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110597441315528504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/01/da-srie-micro-contos-achados-no.html' title='Da série &quot;Micro-Contos achados no arquivo-morto&quot;'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10203716.post-110593968250018592</id><published>2005-01-17T03:21:00.000-02:00</published><updated>2005-01-17T03:28:02.500-02:00</updated><title type='text'>Antes de dormir</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.itabuna-ba.com.br/pics/acm-renuncia2.jpg"&gt;&lt;img src="http://www.itabuna-ba.com.br/pics/acm-renuncia2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você tem uma idéia genial, daquelas que não precisa nem anotar de tão boa e óbvia que é? Pois bem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10203716-110593968250018592?l=fsalvatti.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fsalvatti.blogspot.com/feeds/110593968250018592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10203716&amp;postID=110593968250018592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110593968250018592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10203716/posts/default/110593968250018592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fsalvatti.blogspot.com/2005/01/antes-de-dormir.html' title='Antes de dormir'/><author><name>Salvatti</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_BEOWoLmSiOQ/SAyTvaR9ktI/AAAAAAAAAAM/5EO4pmgsLyA/S220/DSC_00018.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
